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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A morte de um preso político beijosense

Armindo Coelho de Moura nasceu em Beijós a 6 de Maio de 1890, filho de Abílio Coelho de Moura e de Efigénia d'Alegria e Moura.
Era agente de investigação da Polícia Cívica na esquadra de Belém. Foi preso a 12 ou 13 de Outubro de 1918, quando Sidónio Pais decretou o estado de emergência, na sequência de um golpe falhado no dia 12. Segundo a biografia de Sidónio no Museu da Presidência da República, «A tentativa revolucionária democrática iniciada a 12 de Outubro motiva a suspensão das garantias constitucionais em todo o território: o governo sidonista decretou o estado de emergência. No rescaldo do estado de sítio, sete republicanos são assassinados em Lisboa pela polícia sidonista quando uma coluna de 150 presos é transportada do edifício do Governo Civil para a estação do caminho-de-ferro, no Cais do Sodré, em Lisboa. A "leva da morte", como fica conhecido o episódio, desfere mais um golpe no sidonismo.»

Infelizmente, Armindo Coelho de Moura foi um dos sete "republicanos" mortos, faz hoje precisamente 90 anos. De meu conhecimento, não foram completamente esclarecidas as circunstâncias que motivaram o ataque da "polícia sidonista" (ver a versão do regime sobre os acontecimentos na Palheira do Beijós XXI), mas o que é certo é que este beijosense pagou com a vida, aos 28 anos, a defesa das suas convicções políticas. Era simpatizante da ala costista, mas, ao contrário do seu mentor e de outros que preferiram a segurança dos bastidores, ousou enfrentar fisicamente a ala sidonista. Se há republicano que mereça o nome de uma rua em Beijós, ele é Armindo Coelho de Moura.

O vespertino republicano Capital publicou a notícia da morte de Armindo e também a do seu funeral, a 19-10-1918, e viria a reportar, um ano depois, a homenagem que lhe foi feita no cemitério da Ajuda.

Capital, 19-10-1918Capital, 16-10-1919

Veja também, na Palheira do Beijós XXI, o local onde Armindo foi abatido.

sábado, 20 de setembro de 2008

Actor Simões

Em Fevereiro de 1904, O Grande Elias, semanário lisboeta das artes e espectáculos, anunciava a morte de um grande actor, muito conhecido e querido, não só do público lisboeta, mas também por terras brasileiras.

José Simões Nunes Borges, conhecido simplesmente por actor Simões, nasceu em Pardieiros em 10-3-1826 e foi baptizado em Beijós nove dias depois. Filho de João Simões, natural de Cabanas e de Ana Justina, natural de Ferreirós, mas moradores nos Pardieiros. Fez a sua estreia no teatro em 12-6-1845, mas viria a tornar-se um ídolo a partir da década de 60, quando criou a sua própria companhia e fez várias digressões.

A sua filha, Lucinda Simões, foi também uma grande actriz, de tal forma respeitada que foi criado um prémio de representação feminina com o seu nome. A linhagem continuou com a neta Lucília Simões, nascida no Rio de Janeiro durante uma digressão dos pais e avô. O trabalho de Lucília viria a ser reconhecido com a atribuição do título de Oficial da Ordem de Sant'Iago da Espada.

A filha e a neta têm lugar na toponímia de Lisboa (pode ver uma placa aqui). Talvez o chefe do clã pudesse ter uma rua com o seu nome na terra natal, digo eu...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Ruas de Beijós - 1

hawk76 disse...
«Será complicado alterar nomes de ruas (devido aos documentos existente, registos, etc), mas há ruas, travessas, becos, sem nome que poderão passar a ter e o Beijós XXI pode contribuir com suges´~oes.»

Admito que sim, mas quanto mais tarde se proceder a uma eventual alteração, mais complicado será. Acho mais importante perguntar: estão os beijosenses contentes com o nome da rua onde habitam? Sabem eles o que representam esses nomes?

Num dos meus primeiros posts no Beijós XXI, há 2 anos, dizia eu: «A toponímia beijokense está completamente infestada de socialistas positivistas, alguns governantes, outros caceteiros, da 1ª República». Infestação é uma figura de estilo e manifesta uma opinião pessoal, mas pretende representar essa realidade que é o facto de figuras ligadas ao regime (embora apenas um deles lá tenha chegado) da 1ª República terem nomeado as ruas principais.

Como comemoramos com orgulho patriótico-militar, todos os anos, o 5 de Outubro, acabamos por aceitar passivamente a ideologia dominante que diz que a "revolução" de 1910 acabou com uma ditadura e instaurou uma democracia. Acreditar nessa fantasia é o mesmo que acreditar que a revolução de 1917 instituiu a democracia na Rússia - o que se passou foi que alguém, em nome do povo, assumiu o poder para logo de seguida oprimir o dito povo e nem sequer lhe dar direito a voto. Por mais que nos custe admiti-lo, o regime instaurado em 1910 foi menos democrático do que o das últimas décadas da monarquia. Na maior parte das eleições após a implantação da República, só podiam votar os homens letrados, estavam excluídas as mulheres e os analfabetos, i.e. estava excluída a grande maioria da população que vivia fora das cidades e que, na opinião dos positivistas, estava dominada pelos padres e não conseguia perceber o progresso que o novo regime prometia. O regime era, na prática, um regime de partido único e todos os órgãos de poder se confundiam com o partido (mesmo a nível local, como referi aqui).
É este regime que a toponímia beijosense, em larga medida, representa e teremos de decidir se é isso que queremos. Deste modo, creio que seria de alterar os nomes da Rua Afonso Costa Igreja, Rua Miguel Bombarda e Travessa Miguel Bombarda.

Afonso Costa é mais conhecido. Entre os católicos convictos, é famoso pela política de subjugação da Igreja ao Estado, sendo deveras interessante(!) ter uma placa com o seu nome no muro do adro; interessante não deixa de ser também o facto de nos mapas online e aparelhos de GPS a Rua chamar-se Afonso Costa Igreja ::)
Miguel Bombarda não é tão popular, é mais conhecido como psiquiatra. Não viu a revolução porque foi assassinado na véspera por um doente. No entanto, quem estudou o seu papel no movimento republicano não tem dúvidas em associá-lo a uma faceta mais sinistra das ideologias que o suportavam. Miguel Bombarda era profundamente positivista e acreditava que era possível manipular o cérebro para levar os indivíduos a agir de acordo com o ideal de uma sociedade mais justa, de uma sociedade ideal. As suas ideias foram a base da deportação dos jesuítas, considerados anómalos - algo de natureza semelhante à deportação de judeus pelo regime nacional socialista. Tiveram também seguimento na equipa que desenvolveu a controversa lobotomia.

Quanto à Rua Abade Pais Pinto, única no país (acho), poder-se-á manter - não porque alguma vez tenha sido um benemérito de Beijós :), mas precisamente porque nem a freguesia de Cabanas, nem a de Silgueiros lhe prestaram qualquer homenagem pelos valores que defendeu, bem diferentes daquilo que o regime com que sonhava viria a por em prática. Ficando a nossa freguesia entre aquelas duas...

domingo, 30 de setembro de 2007

Escola do Sexo Feminino - 3

Eis o 3º Capítulo da saga da tentativa de abertura de uma escola do sexo feminino no séc. XIX.

Extracto da acta de 6 de Novembro de 1892:

«A junta, attendendo a que há já muitos annos foi creada nesta freguesia uma cadeira de instrucção primaria elementar para o sexo feminino, com séde n'este lugar de Beijóz, e a qual tendo sido posta a concurso por duas vezes a mesma cadeira, não poude ser provida por falta de caza para a eschola nas devidas condições; attendendo a que a falta d'aquella cadeira representa um enorme prejuizo para a instrucção popular desta importante freguesia; e attendendo finalmente, a que lhe parece mais apropriado para o estabelecimento da alludida eschola é na rua da egrêja por ser mais central, deliberou comprar uma caza na referida rua da egrêja pertencente a Adelino Augusto Pereira, desta povoação de Beijóz pela quantia de dozentos e setenta mil reis, por ser este o preço mais baixo que a Junta poude obter para effectuar o contrato».

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Beijois

Numa sentença régia de D. João I, em 1403, era esta a grafia da nossa terra: à primeira vista, seria Beijais :) mas, comparando com a grafia de outros "a" e "o" no documento, chega-se à conclusão de que é Beijois.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Abade Pais Pinto, República e a conquista de Liberdade

A grande celebração da implantação da República em Beijós logo em Outubro 1910 sugere que esta pequena aldeia rural estava especialmente atenta aos movimentos nacionais urbanos.
Este republicanismo rural terá sido por acaso?

Ou talvez tenha a ver com a influência do Abade Pais Pinto, um beirão que foi um dos “Prezos civis a bordo do Vapor Moçambique julgados pelo 1ª Conselho de Guerra” depois da revolução falhada de 31 de Janeiro de 1891, e que veio a ser pároco em Cabanas. http://www.republica.pt/jornal7_ficheiros/jaseabra7.htm

O golpe de 1891 fracassou, apesar de animado pela música de “A Portuguesa”, a marcha proibida que tinha sido composta por Alfredo Keil em 1890 aquando do Ultimato Inglês. A “República” foi proclamada da varanda da Câmara do Porto a 31 de Janeiro de 1891 mas durou só uma manhã.

VER http://barnabe.weblog.com.pt/arquivo/2005/01/
“…a fotografia dos combatentes civis do 31 de Janeiro, condenados ou absolvidos. Entre eles, João Chagas (terceiro da fileira da frente a contar da esquerda), o abade Pais Pinto (quinto da terceira fileira), Aurélio da Paz dos Reis (sétimo da segunda fileira), Homem Cristo (na última fileira, de chapéu) (foto retirada do catálogo Manual do Cidadão Aurélio da Paz dos Reis, Centro Português de Fotografia, 1998).”

Como padre e abade, o Abade Pais Pinto seria provavelmente a excepção no movimento republicano que tinha algo de anti-clerical, uma figura que gostaria de conhecer melhor.
Quem era e que princípios defendia?
Quando é que a rua principal de Beijós lhe foi dedicada?
Ele teria casa em Beijós e quem é a sua família?
O Abade Pais Pinto conheceria o compositor Alfredo Keil que ainda hoje tem descendentes em Canas de Senhorim? VER http://antoniopovinho.blogspot.com/2005/10/hino-nacional-de-portugal-portuguesa.html

Hoje, no dia 25 de Abril que comemora a revolução de 1974, recordamos também a revolução de 1910 e o movimento revolucionário de 1891. Parece que Portugal necessitou de revoluções frequentes e repetidas para conquistar a liberdade e a democracia, talvez por falta de uma elite esclarecida e progressiva capaz de acompanhar em vez de resistir à mudança gradual.

Disse John F. Kennedy , falando da massacrada América Latina, que “Aqueles que tornam a revolução pacifica impossível, tornam a revolução violenta inevitável

Those who make peaceful revolution impossible will make violent revolution inevitable”. John F Kennedy — US president, March 13, 1962, VER http://www.libertarianquotes.com/quotes1.html

Mas as revoluções, mesmo as não-violentas, custam caro. A “cultura da rotura” que se vê muito em Portugal, tem custos enormes, em termos sociais, políticos e sobretudo económicos. Os golpes políticos, revoluções e retrocessos geralmente causam graves contracções e interrupções do investimento e do crescimento económico que levam anos a recuperar.

Hoje, a 25 de Abril de 2007, no dia da Liberdade, vamos fazer votos e trabalhar para que Portugal consiga progredir e evoluir de uma forma gradual, consensual e consolidada e que não seja necessário voltar a fazer outra revolução radical no futuro.
VER http://antoniopovinho.blogspot.com/2007/04/25-de-abril.html

Adenda colocada por beijokense em 2-5-2007:
O Abade Pais Pinto nunca residiu em Beijós, nem consta que tenha tido qualquer relação familiar com beijosenses. Também não é certo que tenha sido benemérito de Beijós.
P.f. leia os comentários dos leitores.
Continua em http://beijozxxi.blogspot.com

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Germanos mil



Sangemil e Teomil procedem de genitivos germânicos. O 1º pode grafar-se Sanjomil (tal como é pronunciado vulgarmente), aparecendo na Galiza como Sanjumil ou Sanxumil; o 2º é frequente na Galiza como Tuymil, Tuimil, Toumil, ou Toimil.




Nas Inquirições de 1258 escreveu-se Tuymiro, como se pode ver neste extracto da História de Portugal, de Alexandre Herculano, que o usa para ilustrar o conceito de maladia.


Em resumo:
Teodemirus (gen.) -- Tuymiro -- Tuymil -- Tiumil -- Teomil
Sangimirus (gen.) -- Sangemiro -- Sangemil (a derivação São Gemil é uma deturpação, não há Santo Gemil)



Outros posts relacionados com toponímia
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Viriato em Cabanas
Pegadas

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

Pegadas de toponímias

Há um ano, o Imigrante postou estes versos, da autoria de Adolfo Coelho de Figueiredo, num comentário a um post sobre Pardieiros.
Pela sua importância, merecem um post dedicado. Mais vale tarde...

Os nomes de muitas terras
Espalhadas por vales e serras
Têm lendas e fantasias
Que os antigos contaram
E foi assim que chegram
Oralmente aos nossos dias

À minha aldeia que tem
A sua lenda também
Chamam Póvoa da Apegada
Tantas bocas acontaram
E pontos lhe acrescentaram
Que pode estar deturpada

Na matita da Santinha
Há uma pedra velhinha
Com dois sulcos invulgares
À beirinha colocados
Mas muito bem demarcados
Parecem dois calcanhares

No inverno à lareira
Ao crepitar da fogueira
Os velhos da minha aldeia
Diziam a toda a hora
Que em tempos Nossa Senhora
Ia p'ra lá fazer meia

Sendo o calcanhar como é
Parte integrante do pé
Segundo a lenda contada
Não custará muito a crer
Que o nome devia ser
Póvoa sim mas da Pegada

Outros posts relacionados com toponímia
Beijós
Viriato em Cabanas

Links:
Sorriso a Beijós - 11NOV2005
Poesia de Guerra- JPSantos - 11ABR2006
Expressões Poéticas - 02JAN2006
Rosa da Carmina - 03 JAN2006
S. João - 21JUN2006
S. João - 2 - 22JUN2006
S. João - 3 - 29JUN2006
Poetisa de Cabanas de viriato - 03JUL2006
Rosa da Carmina - 2 - 31JUL2006
Hino de Beijós - 26AGO2006
Hino de Beijós - Letra - 29AGO2006
A Caminhada - 03OUT2006
Tudo Chorou - 10OUT2006

terça-feira, 2 de maio de 2006

Toponímias - Cabanas de Viriato

O topónimo Beijós é único — de origem pré-romana, dum étimo cuja provável tradução em caracteres latinos será Basioos (lê-se entre baziós e bajiós), foi Beagioos (lê-se tal e qual como a versão actual) nos escritos em latim e Beijoz ou Beijós na escrita moderna.
Menos sorte tiveram os nossos vizinhos, habitando locais de toponímia muito comum, como Penedo, Pardieiros, Póvoa ou Cabanas. Por alturas da I República, os Correios e Telégrafos de Portugal deparavam-se com problemas para entregar cartas e telegramas dirigidos a localidades cujos topónimos não eram distinguíveis. Entre os casos mais graves, incluía-se Cabanas, que designava oito localidades importantes em todo o país. Em vez de criarem o código postal, os Correios pediram às autoridades locais que sugerissem topónimos diferenciados, e foi assim que um grupo de cabanenses sugeriu o apêndice «de Viriato» — note-se que nos Censos a nomenclatura Cabanas de Viriato só aparece, pela primeira vez, em 1991!!
Em poucos anos, lá se tornou o Viriato a «Identidade da Nossa Terra». Tudo bem! Ou talvez não… o problema é que Viriato é uma entidade mitológica e qualquer localidade situada algures no território onde lutavam os lusitanos se pode reivindicar «de Viriato». Por exemplo, em Santiago de Alcántara (Extremadura Espanhola), Viriato "passou" os primeiros anos de casado numa gruta onde se encontraram pinturas rupestres. Na mesma zona, La Vera reivindica a origem do herói, sendo Viriato uma deformação de Verato, que designa os habitantes de Vera… por supuesto! Muito mais a norte, na Provincia de Zamora, Torrefrades apresenta a casa onde ele nasceuo facto da casa ser uns 1300 anos mais recente que o Viriato é insignificante, quando comparado com a época em que a designação chegou a Cabanas. Seja como for, Viriato é importante para a «identidade da terra» de Zamora, por isso aqui deixo uma foto da sua estátua naquela cidade, ao lado da de Cabanas.

Está bem de ver que os heróis representados nestas duas estátuas pouco têm em comum, o que ficará a dever-se à multiplicidade de caracteres que lhe são atribuídos. O Beijós XXI anda em busca do verdadeiro Viriato e promete uma foto sua para breve, mas, entretanto, fica uma pequena nota sobre os mitos associados a este líder militar.

Não sabemos praticamente nada sobre os povos que habitavam as regiões interiores do que viria a ser a província Lusitannia, apenas os conhecemos indirectamente pelos relatos dos autores romanos, que atribuíram a OVRIATHOU diversas facetas lendárias que pudessem justificar o insucesso das legiões romanas nas guerras púnicas… Camões e a propaganda do Estado Novo fizeram o resto!
O principal carácter que lhe é atribuído é pastor — na ideologia das civilizações clássicas, pastor é o equivalente ao cowboy de Hollywood: insubmisso, justiceiro, nómada, idealista, mortífero, mas seguindo um código nobre que rejeita a covardia, a chantagem, a corrupção, a traição. Tal como o cowboy, este pastor deixa sempre uma donzela perdida de amores pelos sítios por onde passa.
A outra face da moeda é o carácter de latro, i.e., aquele que se dedica ao latrocinium, termo que designa latrocínio, mas também a forma de combate de guerrilha. Os cabanenses poderão apreciar Viriato como guerrilheiro, mas não devem perder de vista que, muito provavelmente, o saque e a violação predominavam nas relações da sua horda com muitos dos povoados por onde passavam!
Finalmente, o que realmente eleva a figura mítica de Viriato é ter sido assassinado a mando dum chefe romano, mas com a colaboração dos seus correligionários traidores. Deu-lhe um carácter de invencibilidade, mas também de mártir, o que é muito apreciado na cultura mediterrânica…




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Adenda por António
em 23JAN2007
Eleito pelos leitores do Beijós XXI,
O Beijós XXI felicita o Beijokense pelo excelente trabalho.


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Links para os outros posts eleitos pelo público:
Post do Ano 2006
2º Classificado: Diário da 1ª Guerra Mundial
3º Classificado: Campo de ensaios na Quinta das Chãs

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

Graphia de Beijoz

Já escrevi noutro post que a origem topinímica, segundo Almeida Fernandes, seria:
Basiolas --> Basioos --> Beijoos
Quanto a formas oficialmente escritas, a mais antiga, do meu conhecimento, data de 1186, na Carta de Couto com que D. Sancho I fez doação da vila de Canas de Senhorim ao Bispo de Viseu, D. João Pires (branco seco). Beiaioos (o 2º i poderia valer por j) aparece nas confrontações com as terras doadas.
Em 1258, nas Inquisitiones, p. 15816, a forma usada é Beagioos (na escrita de então, gi é equivalente a j, tornando tónica a vogal que lhe sucede, por isso a fonética é equivalente à actual).
Nos séc. XIX e XX, surgem alternativamente as formas Beijoz e Beijós e eu não descortino nenhuma razão para a prevalência de uma ou outra. Serão os acordos ortográficos?
Em 1836, na revisão administrativa que cria pela 1ª vez o concelho do Carregal, usa-se Beijoz. Nos censos de 1864 e 1878, aparece Beijós. Entre 1890 e 1920 (também nos censos), utiliza-se Beijoz, mas no recenseamento de 1930 aparece de novo Beijós.
Como muitos se lembrarão, Beijoz permaneceu nas placas toponímicas colocadas pela JAE até à década de 1980 e no carimbo dos correios até há bem pouco tempo.

Lendas: 1; 2; 3;

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

Governo de Basioos

Foram empossados no dia 29-10-2005 os novos órgãos de governo da Freguesia:
Junta
Presidente: Nas Cimentus
Secretário: Che
Tesoureiro: Glaciei

Assembleia:
Presidente: Armandus Portixta
1º Secretário: Nunus Ascia
2º Secretário: Pinus Moya
Vogais:
Simoennis Detrimentum
Moccus Joachin
Lopus Alleggrus
Zacharias Sectator
Antonius Campus
Paulus Gymnasiarchus

Faço votos para que todos cumpram os respectivos mandatos em prol do desenvolvimento de Basioos. Se algum dos mandatados passar por aqui, noto que mandato é «poder concedido por meio de votação a uma pessoa ou a um partido para representar os seus interesses durante determinado período», por isso deixo já aqui expressos os meus interesses:

  1. Não confundir desenvolvimento com Nas-Cimentus, muito menos com Al-Catrone... deixai ficar uns trilhos para a minha viatura 4WD.
  2. A toponímia beijokense está completamente infestada de socialistas positivistas, alguns governantes, outros caceteiros, da 1ª República. Prefiro nomes do tipo "Estrada do Penedo", "Largo do Calhau" e "Rua do Vale da Loba", havendo espaço para um ou outro falecido que tenha contribuído de alguma maneira para o desenvolvimento da terra.
  3. É preciso valorizar o Iteiro dos Castelos, com base nos achados arqueológicos, em colaboração com o Museu do Concelho e/ou outras entidades. A Junta deve dar o 1º passo, tirando de lá o capoeiro dos tractores.

Beijokas.

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Beijokas

Segundo Almeida Fernandes (2002, p. 295), a origem toponímica é o vocábulo pré-romano Basa, que significa rochedo. Dele derivam Basolas ou Basiolas (qualquer coisa do género de calhaus) e daí teríamos chegado ao contemporâneo Beijós, via Basioos (se lermos oo como ó).
Outra derivação de Basa é Basocas, que dá origem a Beijocas (com o mesmo significado de pedras??).
Beijosense pode, perfeitamente, ser substituído por Beijoquense ou Beijoqueiro ou muito simplesmente Beijoca (fam.) Eh!... calhau era a tua avó!

Refª
Fernandes, A. A. (2002) Povoações do Distrito de Viseu (origens). Beira Alta, 61(3-4): 277-325