A morte de um preso político beijosense
Armindo Coelho de Moura nasceu em Beijós a 6 de Maio de 1890, filho de Abílio Coelho de Moura e de Efigénia d'Alegria e Moura.
Era agente de investigação da Polícia Cívica na esquadra de Belém. Foi preso a 12 ou 13 de Outubro de 1918, quando Sidónio Pais decretou o estado de emergência, na sequência de um golpe falhado no dia 12. Segundo a biografia de Sidónio no Museu da Presidência da República, «A tentativa revolucionária democrática iniciada a 12 de Outubro motiva a suspensão das garantias constitucionais em todo o território: o governo sidonista decretou o estado de emergência. No rescaldo do estado de sítio, sete republicanos são assassinados em Lisboa pela polícia sidonista quando uma coluna de 150 presos é transportada do edifício do Governo Civil para a estação do caminho-de-ferro, no Cais do Sodré, em Lisboa. A "leva da morte", como fica conhecido o episódio, desfere mais um golpe no sidonismo.»
Infelizmente, Armindo Coelho de Moura foi um dos sete "republicanos" mortos, faz hoje precisamente 90 anos. De meu conhecimento, não foram completamente esclarecidas as circunstâncias que motivaram o ataque da "polícia sidonista" (ver a versão do regime sobre os acontecimentos na Palheira do Beijós XXI), mas o que é certo é que este beijosense pagou com a vida, aos 28 anos, a defesa das suas convicções políticas. Era simpatizante da ala costista, mas, ao contrário do seu mentor e de outros que preferiram a segurança dos bastidores, ousou enfrentar fisicamente a ala sidonista. Se há republicano que mereça o nome de uma rua em Beijós, ele é Armindo Coelho de Moura.
O vespertino republicano Capital publicou a notícia da morte de Armindo e também a do seu funeral, a 19-10-1918, e viria a reportar, um ano depois, a homenagem que lhe foi feita no cemitério da Ajuda.
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| Capital, 19-10-1918 | Capital, 16-10-1919 |
Veja também, na Palheira do Beijós XXI, o local onde Armindo foi abatido.































