Está a ler o arquivo 2005-2009 do Beijós XXI. A partir de 2010, o blogue passou a ser publicado no endereço http://beijozxxi.blogspot.com
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia Popular. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Poesia Popular. Mostrar todas as mensagens

sábado, 25 de abril de 2009

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 11

Continuação "O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 10

25 de Abril - parte II

Gostava de ser capitalista
eu quero mas não posso
desejava adquirir
o que outrora já foi nosso

Salazar, Salazar
foi eterna a tua ausência
Salazar, Salazar
o povo queria a tua presença

O Salazar e o Caetano
para o povo grande saudade sente
foram homens do passado
eram precisos no presente

Salazar, Salazar
aonde estás sepultado?
o teu corpo está desfeito
o teu nome é bem falado

Estás numa cave bem funda
devia estar na torre mais alta
para veres Portugal
a sentir a tua falta

O Caetano está no Brasil
o Salazar no Vimieiro
num lugar que é sagrado
a tua alma chora o 25 de Abril por ter
cravos encarnados

tu não tiveste cravos nem, rosas
foste um grande tesoureiro
hoje não temos cravos nem folhas
estamos empenhados ao estrangeiro

Com os cravos encarnados
para o povo foi uma loucura
não temos cravos nem folhas
temos espinhos e amarguras

Portugal estás tão pobre
pobre e mal contente
porque os cravos encarnados
acabaram-se para muita gente

Cortaram a tua estátua
eras um homem cheio de características
mas não o fizeram a ti
mas sim à obra de um grande artista

Cortaram a cabeça da tua estátua
talvez ao clarão da lua
ela anda em exposição
não há outra igual à tua

Tu nunca me fizeste mal
eu também nada te pedi
Portugal reclama
a pátria chama por ti

Salazar eu peço a Deus
a paz e a saúde
um punho como o teu
para segurar a juventude

Há muita inteligência no mundo
como a tua há muito pouca
eu sempre falei o que quis
nunca tive freios na boca

Ó fascista explorador
onde está tua garantia
nós somos explorados
estamos em democracia

Ó fascista explorador
qual é o teu egoísmo
nós somos explorados
temos o nome de socialismo

Levaram-te para a tua terra
p’rás margens do rio Dão
tu deixas-te a cidade
mas não levas-te a exploração

Ó meu Portugal pequenino
ó mundo cheio de engano
a minha pátria chama
pelo Salazar e pelo Caetano

Salazar, Salazar
tu nasceste em má hora
quantos Homens são comemorados
e tu nem sequer ficaste na história

Tu, doutor Sá Carneiro
olhavas com altives
fizeste muita falta
para o povo português

Seguiste tua viagem
e ninguém ficou contigo
Portugal está de luto
e também os teus amigos

Tu foste para a eternidade
não dizes onde moras
o coração dos portugueses chora
em torno da tua memória

Se a morte se comprasse
havia muito dinheiro
tu serás para sempre
o doutor Sá Carneiro

O teu corpo já não existe
o teu destino assim o quis
mas fosses tu quem fosses
eras chefe do meu país

Tu partiste e que saudade
o povo está contigo
teu nome está gravado
na alma dos teus amigos

Rosa Eulália dos Santos

**
O Beijós XXI relembra que o conteúdo dos posts só vincula os seus autores. O Beijós XXI é defensor das liberdades individuais, em especial da liberdade de expressão. O Beijós XXI condena todo o tipo de censuras e todo o tipo de ditaduras.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 10

25 de Abril

Ó 25 de Abril
Não me sais da lembrança
fizeste crescer o ódio
a raiva e a vingança

Os homens do 25 de Abril
não sei se foram condecorados
por desfazerem o que estava feito
e fazerem golpes de Estado

Ó 25 de Abril
eives-te uma grande manobra
que me fica sempre na ideia
e fica gravado na história

O tempo foi passando
no meio de apertados laços
e fica gravado
o ano de 1974

Há muita gente com dom
sua presença não vale nada
o que seria de mim
se não fossem as Forças Armadas

Eu hoje estou no presente
o passado já lá vai
eu também seria um homem
com a ajuda de meu pai

Ó ponte sobre o Tejo
muito tenho para te dizer
mudaste o teu nome numa noite
levaste anos a fazer

Ó meu Portugal
onde está o teu segredo
nós fomos ameaçados
com a oferta do Campo Pequeno

Gostava de ser fadista
cantar os meus fados nem todo o mundo
derivado à ignorância
caímos num abismo profundo

Também gostava de ser Homem
mas calhou a ser mulher
que eu dava a Portugal
aquilo o que o povo quer

Unidade, unidade
unidade e união
onde está a unidade
está no povo cristão

Falam do capitalista
mas a mim não me importa
não falam nas dificuldades de cada um

Nem do mendigo que bate de porta em porta
também falam dos latifúndios
não sei o que lhes aconteceu
é um mal pegadiço
não falam num pobre como eu

Também falam nos monopólios
porque têm muito dinheiro
não falam no pequeno e médio agricultor
nem em mim que sou rendeiro

Ó minha querida Pátria
o amor em ti se desola
que veio o 25 de Abril fazer
deixar Portugal a pedir esmola

Ó meu pequeno Portugal
que não me sais do sentido
num país que se aperta na mão
p’ra que é tanto partido

Ó meu Portugal
abençoado pelo senhor
que exista entre os homens
paz, justiça e amor.

Ó minha querida Pátria
as saudades te contêm
senhor primeiro ministro
não se iluda com ninguém

Quantas ruas tem Lisboa
qual será a mais estreita
senhor Presidente da República
o norte não quer ditadura

O meu jardim de Portugal
gabado pelos estrangeiros
que eu dou o meu apoio
ao senhor doutor Sá Carneiro

Ó meu lindo Portugal
tens nome muito belo
também dou o meu apoio
ao senhor General Galvão de Melo

Como é que tem lutado
trabalha com certeza
sente amor dentro de si
pela Pátria Portuguesa

Portugal sofreu um pouco
que era bem escusado
quem sofre as consquências?
somos nós com os retornados.

Regressaram à sua terra
muitos cheios de desgosto
deixaram nas outras terras
o seu maior conforto

Quantos se sentaram a uma mesa
sem nada lhes faltar
talvez Portugal
terá de mendigar

Tudo isto vai passando
queira Deus que corra bem
que tudo foi causado
digo eu não sei por quem

(continua)


Rosa Eulália dos Santos

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 9

Olho Político

O Cavaco fala pouco
E sorri e não se cansa
Já não querem gostar dele
Por não ter pesos nem balança.

Tudo isto é bonito
E tudo é tão belo
Já não gostas do Cavaco
Por não ter foice e martelo.

Uma camponesa disse
Eu gostava de ir à praia
Tenho de apertar o cinto
Para não me cair a saia.

Eu tenho muitos amigos
Alguns eram escusados
Vou fazer pesos e medidas
Para pesar e medir os deputados.

Todos fazem os seus discursos
Outros dizem não está bem
Porque tudo quer ser dono
Do Palácio de Belém.

Fala um de cada vez
Cada qual tem o seu tempo
Tudo se quer empoleirar
No Palácio de S. Bento

Os portugueses andam cegos
E a alegria até salta
Por trocar a liberdade
Pelas promessas falsas.

O CDS vive pobre
E só pensa no seu trabalho
E não vem para a rua
Para não fazer o seu comentário.

Gosto muito da minha Pátria
E também do meu País
Coitado dom mais pequeno
Porque não sabe o que diz.

Tudo quer ser governo
E governar a seu jeito
E ninguém se sabe julgar
E em tudo põe defeito.

Texto escrito por D. Rosa há mais de 10 anos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 8

Concelho da Minha Terra

Ó vila do Carregal
Vives com alegria
Como ficas orgulhosa
Com as sete freguesias.

Ó vila do Carregal
Não olhes para o passado
Nas varandas e janelas
Tudo estava engalanado.

Quando eu penso em ti
Contigo eu vou sonhar
Estenderam passadeiras
Para o 1º Ministro passar.

Entrou na tua sala
Para seu discurso fazer
Foste muito elogiada
Mesmo sem te conhecer.

Ouvi suas palavras
Guardei-as no meu coração
Falando do queijo da serra
E do vinho da região.

Da Estrela ao Caramulo
Existe grande segredo
Estão longe do Rio Dão
Mas perto do Rio Mondego.

Quando as águas se encontram
Abraçam-se com amizade
Ó vila do Carregal
De ti tenho saudade.

Não quero que fiques zangada
Comigo está bem
Não falo das tuas gentes
Porque as não conheço bem.

Ó Concelho de Carregal
Não sejas vaidoso
Com a estrada principal
Que chega a Vilar Formoso.

Eu de ti me despeço
E não me sais do sentido
Pelo 1º Ministro
Foste bem aplaudido.

Rosa Eulália dos Santos


quinta-feira, 27 de novembro de 2008

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 7

Na Hora do Sofrimento

Há muita gente no mundo
Que vive de ilusões
Invocam o nome do Senhor
Quando estão em aflições.

Correm à Senhora dos Milagres
Senhora de tantas virtudes
A pedir as suas melhoras
E à Senhora da Saúde.

Dão entrada nos hospitais
Vão logo para as enfermarias
Como é grande o sofrimento
Rezam, Pai Nosso, Ave Maria...

Se vão para a operação
Em Deus fica a confiança
Fazem as suas promessas
A quem lhes vem à lembrança.

Pedem à Senhora de Fátima
Ou seja à Virgem Maria
Para alivio das dores
Rezam de noite e de dia.

O ter fé e ser crente
É o dever do cristão
Depois de estarem curados
já esquecem a devoção.

E se tudo corre bem
E a doença não tem perigo
Já deixam de rezar
E Deus fica esquecido

Eu sempre me lembro de Deus
Mesmo que não esteja a sofrer
Sonho com ele a toda a hora
E não o quero esquecer.







Ainda pode visitar até ao fim do mês de Novembro o Museu Municipal de Carregal do Sal e veja a exposição"Beijós e suas Gentes" - Entrada Gratuíta

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 6

Pedras da Calçada

Pensando bem
Nas pedras da calçada
Por todos são pisadas
E não se queixam da sua dor
Ficam caladas.

Pensando na chuva que cai
Para lavar suas mágoas
O sol que brilha
E bate na vidraça
Ajuda-me a sofrer
O que por mim passa
Esperando por um beijo
Duma boca tão fria
Que gela o coração
E fica a alma vazia
Estou separada
Com as pedras da calçada.

Amor, Amor
Tão velho e louco
Cresce como uma planta
E vem de tão longe
Amor sem esperança...

Perdi-me num olhar
Meigo e doce
Os olhos chorando
A boca sorrindo gargalhadas
Sinto-me tão fria
Como as pedras da calçada.

Estou sentada
Não sei o que faça
Espero a gota de água
Que me cai pelo rosto abaixo
E fica parada no meu regaço.

Amor, amor
Estou pensando
Olhando para quem passa
Perdendo beleza e graça
Desiludida e tão pisada
Como tu, pedras da calçada!













Reservados todos os direitos de autor.

sábado, 12 de julho de 2008

Aristides Sousa Mendes

Ao desfolhar o Jornal de Noticias, deparei com este artigo na rubrica dos leitores, que achei bastante interessante.


Como nunca é demais lembrar Sousa Mendes, aqui publico o artigo do leitor António Santos.Posted by Picasa

quinta-feira, 29 de maio de 2008

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 5

Pedras da minha rua

Sou tão pobre, tão pobre

A pobreza continua

Sinto-me tão singela

Como as pedras da minha rua.


Não têm casas nem varandas

Nem janelas nem vidraças

Sentem-se magoadas

De quem por elas passa.

Elas sofrem sozinhas

Consigo fica sua dor

Do luar fazem lençóis

Das estrelas cobertor.


Os pardais em corridinho

Vão pela rua fora

Comendo migalhinhas

E as areias que as pedras deitam fora.


Com o sol fico contente,

Também com o clarão da lua

Porque deixam brilhando

As pedras da minha rua.


**
Reservados todos os direitos de autor.
**

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Poema de Maria da Paz Nunes

Meu Jesus


Obrigado Senhor Jesus

Tua Palavra é minha luz

O Teu amor que me conduz


Tu És o sol da Terra

Tu És a luz do Mundo

Tu ó meu Senhor


Meu Senhor que me escutais

A toda a hora e momento

Que Te trago noite e dia

Sempre no meu pensamento


Lutarei para te amar

Meu divino Redentor

Por tantos anos de vida

Aliviais a minha dor


Mãe Tens o teu filho

Pregado na cruz

Ajuda-nos mãe

A viver com Jesus



Maria da Paz Nunes
Nasceu em Beijós em 24 de Janeiro de 1922
Vive em Alhos Vedros

quinta-feira, 7 de junho de 2007

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 4

Rua velhinha

Minha rua tão velhinha
cheia de saudades minhas
no desvio do meu telhado
fazem ninho as andorinhas

Gosto muito de cantar
cantigas da minha aldeia
sentada à lareira
à luz da candeia

Minhas casa é um céu
entra o sol a sorrir
tenho na minha escada
cravos a florir.

Quem passa à minha porta...
oh Rosa! Chega à janela
quero ver o teu jardim
que me lembra a Primavera.

Minha casa é um céu
abençoado pelo Senhor
brilha nela o orgulho
de muita paz e amor.

Na janela do meu quarto
entra o sol e o luar
vem tão cheio de alegria
quando pensa em me acordar

**

1ª edição: 1987
dactilografado e revisto por Drª Ivone Abrantes: FEV2004
digitalizado por Beijós XXI: ABR2007

**

Eulália Rosa dos Santos

**

Reservados todos os direitos de autor.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 3

À minha terra

Beijós terra pequena
terra do meu encanto
como és tão amorosa
tens flores em todo o canto

És cheia de cravos e rosas
só te falta o jasmim
és um canteiro apenas
todo cheio de jardim

Ao meio tens uma ponte
onde faz a divisão
ao lado a ponte do Redondo
à saída a do Pisão

Estás bem situada
entre vales e outeiros
também tens à entrada
a Ponte do Ribeiro

O outeiro dos Castelos
o outeiro do moinho
o outeiro da Cadina
qual é o mais pequenino?

Ó outeiro da fonte
és o mais enfragado
com a tua fresca sombra
p’ra onde vão os namorados

Oh, outeiro da grainha
com a sua bela vista
pois temos por padroeiro
o nosso S. João Batista

Como tens 6 outeiros
de cinco já eu falei
e o outeiro do Calvário
que eu não esquecerei

A rua do vale da bica
a rua que mais adoro
para mim é a mais bonita,
é o lugar onde eu moro

Beijós terra pequena
não me esqueço de ti
tu serás sempre a mais bela
daquelas que eu já vi.

**

Reservados todos os direitos de autor.

quinta-feira, 17 de maio de 2007

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos - 2

História da Minha Vida

Sou padeira e camponesa
é a minha profissão
calco terra com os pés
pela rua vendo pão

Eu sou empregada
emprego da minha paixão
vou pelas terras dos outros
com grandes carregos de pão

Levanto-me de madrugada
o ser pobre não importa
ando de rua em rua
a bater de porta em porta

Pela chuva e trovoada
escurece o coração
lá vou eu estrada fora,
com o meu carrego de pão

Para travar a minha luta
já não sei o que fazer
trabalho mais que a minha força
para ganhar para comer

Por vezes perdia o ânimo
pela fome que sentia
mas pensava nos meus filhos
e no pão de cada dia

Eu subia aos horizontes
para ver um novo pranto
cansada das minhas fadigas
ainda vou trabalhar no campo

Quando era muito mocinha
eu pensava e sorria
o meu sonho era viver
junto da poesia

Há muito poeta no mundo
também no meu Portugal
eu vivo da minha poesia
no meio do trabalho rural

Eu trabalho pelo frio
e trabalho pelo calor
o meu trabalho é tão duro
e ninguém lhe dá valor

Trabalho pelo gelo
e caminho pela neve
o que era dos da cidade
se os camponeses fizessem greve

Quando eu vou para o campo
trabalho com altivez
tudo fala, tudo diz
e ninguém vê um camponês

No campo a Primavera
o chilreio dos passarinhos
com o perfume da mimosa
e cheiro a rosmaninho


A terra está dura
o sol vai subindo
aguento o meu cansaço
porque a força me vai fugindo

Cada dia seu poeta
a poesia formou
é nos lido no presente
o que o passado deixou.

**

Eulália Rosa dos Santos

**

Reservados todos os direitos de autor.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

"O Livro da Minha Vida" - Eulália Rosa dos Santos


"O Livro da minha vida
Tenho-o no meu coração
Para dar aos meus filhos
Para grande recordação"


"Fui criada só com minha mãe e minha avó. A minha mãe trabalhava fora e eu ficava com minha avó. Andava na rua descalça, passava fome, frio e andava com roupa muito velha. Brincava com os outros miúdos ao arco, pião e saltava à corda.
Passei uma vida difícil, tinha pouca roupa. Precisava de lavar o vestido ao sábado para o vestir ao Domingo. Quando chovia era necessário secar a roupa à lareira.
Ia poucas vezes à escola, não tinha muita cabeça e tinha medo da professora. O pouco que sei foi uma moça que me ensinou.
Apesar das dificuldades, até aos 20 anos nunca me senti triste: saltava, cantava, trabalhava ... Lavei roupas para fora, esfreguei casas, encerei cavei terra, cortei mato, reguei...
Por vezes com os rapazes e raparigas da terra, fazíamos bailes ao Domingo, era uma alegria!!
Aos 23 anos tive a febre do tifo, fui tratada pelo doutor José Cardoso Maurício. Estive 7 semanas de cama, quando tive “alta” mal sabia caminhar, não tinha forças nas pernas, gatinhava como um bebé. O cabelo também me caiu. Graças a Deus em breve recuperei todas as forças e recomecei o trabalho.
Trabalhei numa quinta, pela manhã fazia a distribuição do leite, no regresso levava comida para o gado. Ajudei muita gente, procurei sempre ser prestável.
Cozinhei em muitas festas, casamentos e baptizados, fui a cozinheira do meu casamento.
Estou casada há 34 anos, contudo, parecemos recém casados, entre nós não há zangas, tudo se resolve com amor e compreensão. O meu marido é trabalhador rural, temos três filhos.
Em solteira, como já disse, trabalhei muito, mas em casada também. Ajudei o meu marido no campo, vendi pão nas Caldas de S. Gemil, criei os meus filhos, fiz todos os trabalhos domésticos...
Sou feliz, penso que estou na juventude, faço versos, ensaio ranchos, canto. Peço a Deus que meus filhos e netos sejam tão felizes como eu sou."

Eulália Rosa dos Santos

1ª edição: 1987
dactilografado e revisto por Drª Ivone Abrantes: FEV2004
digitalizado por Beijós XXI: ABR2007




D. Rosa foi casada 54 anos com o Sr. António Fernandes (1928 - 2007)

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Poesia Popular - 15 - Marcha de Beijós

MARCHA DE BEIJÓS

Beijós é a nossa Terra
Terra de Grande Beleza
Suas virtudes encerra
Esta Aldeia Portuguesa

Tão Bela de Tradições
Beijós é sempre a primeira
Os CENTRAIS em condições
Respeitam sua bandeira

Beijós Nosso cantinho encantado
Quem não conhece Beijós
Ficará apaixonado

Beijós
Nosso Torrão tão amado
No Distrito de Viseu
O seu nome está gravado

(1962/64 - Música e letra do Mestre Jacinto Caetano)
Nota: Esta marcha era tocada por OS Centrais de Beijós sempre que iniciavam a sua actuação nos arraiais.

publicado em comentário por Otília, em 08DEC2006



Links:
Sorriso a Beijós - 11NOV2005
Poesia de Guerra- JPSantos - 11ABR2006
Expressões Poéticas - 02JAN2006
Rosa da Carmina - 03 JAN2006
S. João - 21JUN2006
S. João - 2 - 22JUN2006
S. João - 3 - 29JUN2006
Poetisa de Cabanas de viriato - 03JUL2006
Rosa da Carmina - 2 - 31JUL2006
Hino de Beijós - 26AGO2006
Hino de Beijós - Letra - 29AGO2006
A Caminhada - 03OUT2006
Tudo Chorou - 10OUT2006
Poesia Popular - 14 - "OH ALDEIA"
Poesia Popular - 15 - Marcha de Beijós

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Poesia Popular - 15 - "OH ALDEIA"

Refrão (BIS)

Oh Aldeia,
Desceste do Monte ao Vale,
Em noite de Lua Cheia,
Sabes encantar Portugal.
******************************

O Sol beija a tua fronte,
Quando alcança o Areal,
Aquece forte o teu monte,
Que se avista no frontal,
Anda em volta dos outeiros,
Da cadina e dos castelos
E roda bem prazenteiro,
Do Sul os torna tão belos.

Refrão (BIS)

Irradia o Lugar d`Além
E o beija à tardinha
E o Vale - da - Loba também,
Onde mergulha à noitinha,
Lá do fundo da ribeira,
Despede - se do Cerradinho,
Do Pisão em derradeira,
Esconde - se com jeitinho.

Refrão (BIS)

E deixa que o Luar avance,
À Terra de todos nós,
Que avista de relance,
A bela Aldeia, Beijós;
Com as luzes no escuro,
Emita bem os presépios,
Nela, ventos no sussurro
Lançam seus silvos intrépidos.

Refrão (BIS)

(Ritmo - Bailinho)

(Letra e música: Zacarias Pais do Amaral)
Escrito em comentário por Willoughby em 05DEC2006




Links:
Sorriso a Beijós - 11NOV2005
Rosa da Carmina - 03 JAN2006
S. João - 21JUN2006
S. João - 2 - 22JUN2006
S. João - 3 - 29JUN2006
Hino de Beijós - 26AGO2006
A Caminhada - 03OUT2006
Tudo Chorou - 10OUT2006
Poesia Popular - 15 - "OH ALDEIA" - 07DEC2006

terça-feira, 3 de outubro de 2006

A caminhada

Saíste cedo de casa,
vais como uma sombra legível de ti
uma intermitência do teu ser,
sabes que vais caminhar de lugar em lugar
e quando caminhas vais deixando lugares
que nem sequer chegaste a ocupar

começas, e de lugar em lugar
suspendes a respiração para te libertares
das paisagens que vais colhendo

por vezes estremeces de um prazer antigo,
dos restos de uma infância que te vem ao de cima
porque em cada lugar mora um pouco de ti
e muito dos teus antepassados

vais por lugares e fonte dos amores
onde teus antepassados sentiram
o que se sente no limite
tu já não sentes
a nascente mudou

caminhas por desfiladeiros
muitas vezes em fila indiana
olhas para baixo, teu ser
espanta, interroga, olha, deslumbra,
tantas são as ressonâncias que
o vale abrupto em ti evoca

Ass: Vadio

sábado, 26 de agosto de 2006

Hino de Beijós

Recebemos uma versão cantada dum Hino de Beijós, em K7 analógica. O autor (e intérprete) será revelado brevemente e a letra será aqui publicada. Por agora gostaríamos que ouvissem com atenção... para ver se decoram a letra e identificam a voz :)

O trabalho de conversão/tratamento digital foi do Ricardo Santos.

O hino dura 4'49''



segunda-feira, 31 de julho de 2006

Rosa da Carmina - 2








D. Rosa Eulália dos Santos
Poetisa popular de Beijós














Dona Rosa e seu Marido Sr. António Fernandes














Link: Rosa da Carmina

segunda-feira, 3 de julho de 2006

Carregal do Sal é Notícia - 21 - Poetisa de Cabanas de Viriato

"Catorze anos e três livros publicados fazem de Cláudia Borges, uma menina natural e residente em Cabanas de Viriato, no concelho de Carregal do Sal, uma das mais promissoras poetisas portuguesas da actualidade.

A sua mais recente obra, "Instinto" [2006], revela a profundidade do pensamento de uma jovem que aprendeu a gostar de poesia a ouvir histórias contadas e lidas pela mãe, em berço de sonhos, e a ler autores de eleição como Sophia de Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade ou Miguel Torga.

Finalista do 9.º ano da Escola Secundária de Carregal do Sal, Ana Cláudia Borges Oliveira tem o seu percurso escolar marcado por "cincos", em praticamente todas as disciplinas, desde a Matemática ao Português. Notas que resultam de "intenso trabalho e dedicação ao estudo", reconhece, mas que não a afastam "daquelas coisas" que interessam a todos os jovens da sua idade música, cinema, amigos e compras.

Pragmática e emotiva, Cláudia Borges - desde 30 de Julho de 2004 o mais jovem membro da Associação Portuguesa de Poetas (APP).

(...)
Família é suporte imprescindível

António e Amélia Oliveira, pais de Cláudia Borges, constituem, juntamente com a irmã, Mariana, de três anos, o suporte familiar "imprescindível" à estabilidade emocional de que a jovem precisa para prosseguir a sua caminhada no mundo da arte poética. "Também conto com muitos e bons amigos, que seguem o meu trabalho e contribuem para a minha auto-estima", reconhece.
"
Fonte da notícia e foto: Jornal de Notícias

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Poesia Popular - S. João - Capítulo III

Hoje é dia de S. Pedro, ocasião para completar o folhetim de poesia popular do sr. João Marques, de Albergaria. Esperamos mais umas quadras, no próximo ano :)

É dia de S. João
Bailam balões no ar
Há vasos de manjericos
A perfumar seu altar

Reina alegria no povo
Estoiram foguetes no ar
Saem as moças à rua
É tempo de namorar

É dia de grande folguedo
O povo saíu à rua
Vem daí minha amada
A festa também é tua

Neste dia de S. João
É tempo de bem amar
O brilho dos teus olhos
Faz o meu coração suspirar

Queria pedir a tua mão
Com vergonha, não me atrevo
A beleza do teu rosto
É todo o meu enlevo

Se um dia tiver a dita
Se teu coração conquistar
Juro pela minha fé
Terei ternura para te dar