Personalidades de Beijós - 4 - Aristides de Sousa Mendes
“Não tendo nascido em Beijós mas sim Cabanas, Aristides de Sousa Mendes era no entanto descendente de famílias de Beijós, tanto por parte do pai como por parte da mãe. Os seus pais eram o Dr. José de Sousa Mendes, desembargador da Relação de Coimbra, e D. Maria Angelina Ribeiro Abranches. Aristides de Sousa Mendes, era por isso neto de Silvério Coelho Pais do Amaral, por parte materna.
Nascido a 19 de Julho de 1885, deram-lhe o nome completo de Aristides de Sousa Mendes do Amaral e Abranches. Licenciado em direito, concorreu à carreira diplomática, tal como o seu irmão gémeo César de Sousa Mendes, e foi nomeado cônsul de 2ª classe em 12 de Maio de 1910. A sua carreira diplomática prosseguiu com nomeação para vários postos consulares.
Foi no princípio da 2ª guerra mundial que realizou a acção mais notável da sua vida. Em Junho de 1940 estava colocado como cônsul de Portugal em Bordéus. A França estava em parte ocupada pelos alemães, e milhares de pessoas pediam vistos para poderem fugir.
Os vistos dos consulados portugueses só podiam ser concedidos mediante autorização telegráfica da polícia, que levava alguns dias a chegar.
Desprezando estas formalidades, Sousa Mendes começou a conceder vistos a todos os que o solicitavam. Não se sabe ao certo quantos chegou a conceder, mas estima-se que concedeu vistos para a entrada em Portugal a muitas pessoas, na maioria judeus, que assim salvaram a vida, livrando-se de caírem nas mãos da implacável GESTAPO de Hitler. Tudo isso foi feito, porém com flagrante violação de severas ordens impostas pelo estado de guerra mundial em curso e de normas de serviço diplomático que lhe competia por igual cumprir, e Sousa Mendes foi demitido.
Expulso da carreira, diplomática, viu-se em dificldades, daí até ao fim da sua vida, para encontrar os meios de sobrevivência.
Em 1945, finda a guerra, Sousa Mendes apresentou um recurso para retomar o seu cargo, mas foi-lhe dada resposta negativa.
Em 1954 morria Aristides de Sousa Mendes arruinado e desacreditado. Só depois de morto a sua acção começou a ser reconhecida internacionalmente. Em 1967 um organismo israelita, o YAD VASHEM, encarregado de zelar pelos mártires e heróis de Israel, incluiu Sousa Mendes entre os “justos de raça não-judaica”.
Em Junho de 1976, um relatório do Ministério dos Negócios Estrangeiros portugueses concluía que Sousa Mendes foi punido ilegalmente.
Vários jornais americanos começaram a interessar-se pelo caso, na década de 80, e o Congresso americano apreciou-o, aprovando em 1986 uma resolução de elogio a Sousa Mendes. E em Agosto desse ano foi enviada uma carta, assinada por 70 congressistas, ao presidente Mário Soares, solicitando-lhe que prestasse homenagem a Aristides de Sousa Mendes.
Em atenção a isto o presidente resolveu condecorá-lo, reparando postumamente a dureza com que ele foi tratado.
Todavia, o seu irmão gémeo, César de Sousa Mendes do Amaral e Abranches, teve melhor sorte: completou, com brilho, a carreira diplomática, foi Embaixador de Portugal, e depois Ministro dos Negócios Estrangeiros.”
In “Monografia de Beijós”, António Coelho de Moura Pais do Amaral Mendes, Rio de Janeiro - RJ








































