Está a ler o arquivo 2005-2009 do Beijós XXI. A partir de 2010, o blogue passou a ser publicado no endereço http://beijozxxi.blogspot.com
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quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Carregal do Sal elege mais vereadores a 11-Outubro

Carregal do Sal, junto com Torre de Moncorvo, Mortágua e Óbidos, vai eleger mais vereadores para a Câmara Municipal nas eleições autárquicas a 11- Outubro-2009, ficando com um total de sete membros no executivo municipal.

O alargamento da vereação de Concelho de Carregal do Sal deve-se ao aumento de eleitores de 9 577 em 2005 para 10 144 em 2009. Este aumento considerável de 567 eleitores contrasta com a quase estagnação da população residente, que era de 10 411 no censo nacional de 2001, e foi estimada mais recentemente em 10 635 em 2006, mais 224 individuos.

Segundo estes dados, a população residente no concelho de Carregal do Sal não terá crescido mais de 100 pessoas entre 2005 e 2009, duvida-se mesmo que tenha aumentado. Por isso parece razoável fazer a seguinte pergunta: como é que um crescimento da população de cerca de 100 pessoas pode gerar um aumento de 567 eleitores entre 2005 e 2009?

No número de eleitores recenseados entram todos os que completam 18 anos até ao dia das eleições. Em Portugal cerca 15% da população tem menos de 15 anos (dados do INE), mas admitamos apenas 10% na região. Então, seguramente, mais de 1 000 pessoas no concelho ainda têm menos de 18 anos à data das eleições. Se subtrairmos essas 1 000 pessoas à população actual, ficamos com cerca de 9 500 residentes em idade de votar, muito longe dos 10 144 eleitores que estarão nos cadernos eleitorias para as eleições de 2009. Em conclusão, o número de eleitores no concelho de Carregal do Sal é, claramente, inferior a 10 000 eleitores.

De onde vem esta diferença? Diz-nos o governo que resulta da requisição do “Cartão do Cidadão”. Esta requisição e emisssão transfere automáticamente o local de voto para a freguesia indicada como residência. Mas não parece que seja essa a razão no caso de Carregal do Sal, pois mesmo que a maioria da população já tivesse requisitado o “ cartão do cidadão”, isso provavelmente faria descer o número de eleitores e não subir. A razão do aumento de população estará em outros dois factores. O primeiro é que a generalidade dos emigrantes saídos do concelho possui o Bilhete de Indentidade e com residência na sua terra de origem. Segundo o governo, esses foram agora inscritos automaticamente nos cadernos eleitorais. O outro factor é que continuará a haver eleitores-fantasma nos cadernos eleitorais. E este será, muito provavelmente, o factor principal.

Por isso parece ser pura fantasia o aumento de eleitores no concelho de Carregal do Sal. O que não vai ser fantasia, é o aumento do vencimento do presidente da Câmara, mais vereadores a tempo inteiro e, por isso, mais custos de funcionamento da Câmara Municipal. São mais alguns milhares de euros por mês do orçamento da Câmara para vencimentos do executivo e outras despesas similares.

Será que os benefícios do alargamento do executivo camarário vão compensar os custos adicionais? Será que os novos vereadores vão:
- trazer mais actividade económica interessante para o município
- desenvolver actividades culturais e outras para atrair turistas
- fomentar empresas locais, atrair investidores e ajudar a criar mais postos de trabalho
- angariar financiamento para projectos prioritários como a criação do Museu Sousa Mendes na Casa do Passal
- despoluir os ribeiros que atravessam o municipio
- melhorar o aproveitamento escolar das crianças e dos jovens
- melhorar a assistência de saúde e o apoio aos idosos

Será que esse acréscimo de custos para o município vai trazer vantagens tangíveis para os munícipes? Esperemos bem que sim.
António Abrantes

domingo, 5 de abril de 2009

Nas pegadas de GALILEU

2009 foi declarado pela ONU o Ano Internacional da Astronomia porque faz 400 anos que Galileu Galilei realizou as suas famosas observações com um telescópio.
É conhecida a feroz perseguição que a hierarquia da igreja católica lhe movera mas, como sempre acontece, essa perseguição, em vez de destruir a sua obra tornou-a mais conhecida e mais fecunda.
Nos dias 3, 4 e 5 de Abril corrente desenvolve-se à escala mundial um programa de levar a Astronomia às pessoas – “100 Horas de Astronomia”.

Visitámos um dos Centros de Observação, localizado na Ponta do Sal, em S. Pedro do Estoril (entre a estrada marginal e o mar). Outros há, espalhados pelo país. Foi uma experiência fantástica, que recomendo, para miúdos e graudos.
Por exemplo, ao telescópio são perfeitamente visíveis imensas crateras muito redondinhas e cadeias de montanhas no nosso satélite, Lua. Porquê essas crateras e porque continuam tão perfeitas, o que não acontece no planeta Terra?
A resposta: as crateras resultaram do impacto de asteróides que, ao colidirem com a superfície lunar, fundiram as rochas que se tornaram liquidas formando crateras de bordos bem visíveis como quando uma pedra cai num charco forma, momentaneamente, um buraco com rebordos salientes.
E porque se mantêm com essa forma primitiva? Porque a Lua não tem atmosfera, não há água, não há ventos, não há erosão, erosão essa que modelou o nosso planeta (onde também se deram esses impactos) mas que nunca (?) existira na Lua.
Ao telescópio também foi fácil observar o planeta Saturno, aquele que tem um grande anel à sua volta. O anel era perfeitamente visível embora, a olho nu, pareça simplesmente uma estrela como as outras. Galileu chamava ao Saturno um planeta com orelhas, exactamente devido ao anel, apresentando-se com duas saliências opostas.

A Astronomia é daquelas ciências que todos cidadãos deviam estudar e conhecer um pouco. Isso ajudar-nos-ia a compreender melhor muitos fenómenos naturais, a perceber alguma coisa porque estamos aqui, neste planeta, há quanto e por quanto tempo. Ajudar-nos-ia a não por tudo nas mãos de Deus, pior do que isso, nas mãos dos que dizem ser seus representantes na Terra.

Conhecer mais do Universo de que fazemos parte e que a Astronomia, já praticada há milhares de anos mas que se estruturou como ciência a partir do grande Galileu, ajuda-nos-ia a relativizar muitos dos pequenos–grandes dramas pessoais e do país.

Tudo o que é humano, embora importante é, porém, tão pequeno, senão insignificante, perante o que acontece na imensidão do Uvniverso, mesmo que desses acontecimentos cósmicos tenhamos conta, somente, muitos anos-luz depois.

Ver sites: www.nuclio.pt; www.portaldoastronomo.org.

Texto enviado por A. Abrantes

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

2009 Ano de todas as Eleições - Sousa Mendes


O ano de 2009 vai ser o ano de todas as eleições em Portugal.
Vai haver eleições europeias, autárquicas e legislativas em 2009.

Por isso, é um bom momento de reflectir e apurar a situação das questões de Interesse Público geral , como já tem vindo a ser feito aqui e aqui no Beijós XXI.

Agora é a vez de alguns amigos de Sousa Mendes promoverem uma reflexão sobre o andamento do projecto Sousa Mendes no blog http://aristidesousamendes.blogspot.com/2009/02/perguntas.html que repetimos (e acrescentamos) aqui, a fim de promover o diálogo:

Que programa vai ter cada um dos candidatos locais e nacionais em relação a Aristides Sousa Mendes, à sua memória e ao projecto de restauração da Casa do Passal?
Noutras eleições anteriores, que pontos estiveram nos programas dos candidatos eleitos?
Que verbas públicas foram dedicadas à promoção e conservação da sua memória e à reconstrução pela Câmara Municipal de Carregal do Sal, neste e noutros mandatos?
Que fez o Presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal como representante do poder público no Conselho de Administração da Fundação Aristides de Sousa Mendes?
Que fizerem outros organismos públicos, tais como o Ministério de Negócios Estrangeiros, o Ministério da Cultura, e as Regiões de Turismo do Ministério de Economia para divulgar o Acto de Consciência de Aristides de Sousa Mendes e criar um centro de memória na sua Casa do Passal em Cabanas de Viriato?
Que fizerem os nossos representantes eleitos para dignificar a Casa do Passal como Monumento Nacional e para promover o turismo cultural em torno das figuras de Aristides e Angelina de Sousa Mendes?
Quem contribuiu e quem tirou benefícios com a memória de Aristides de Sousa Mendes?

COMENTAR:
2009 - http://antoniopovinho.blogspot.com/2009/01/2009.html
2009 no Beijós XXI - http://antoniopovinho.blogspot.com/2009/01/2009-outra-vez.html
Sousa Mendes - http://aristidesousamendes.blogspot.com/2009/02/perguntas.html

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Zé Tuga

Na década de 80, uns amigalhaços do Zé, empregados na Câmara, precisavam de fazer umas massas por fora, porque o Estado sempre pagou pouco, é certinho, mas pouco. O que eles sabiam fazer era desenhos que vendiam aos Zés que queriam fazer uns anexos nas casas lá da aldeia, uma cozinha para o dia-a-dia, para não sujarem a "principal", umas casas-de-banho que antes não tinham porque não havia água canalizada, uma garagem para o tractor, etc. Manda a lei que esses desenhos sejam aprovados na Câmara. Como, na altura, não era possível aos empregados da Câmara aprovar os desenhos feitos assinados pelos próprios, o amigalhaço Zé assinava-os para eles poderem aprovar. Porreiro, pá.

Na década de 90, o Zé tinha outras ambições. Ele era conhecido por Engº e achou que uma licenciatura em engenharia daria mais solidez ao título. Um exemplo para muitos Zés que trabalham no duro mas ambicionam um diploma - aproveitava a hora do expediente e a máquina de fax do trabalho para mandar uns faxes num inglês irrepreensivelmente técnico. Uma prova da força de vontade do Zé que, mesmo sabendo que fala inglês com o mesmo nível que o outro Zé, aquele do Allgarve que avia inglesas, sempre acreditou que, com uma boa máquina de fax, conseguiria atingir os seus objectivos.

Depois de chegar a chefe, em 2005, o Zé não desiludiu. Um verdadeiro Zé português desenrasca-se em qualquer situação e aproveita para vender sempre qualquer coisa lá da terra, como um computador caseiro - toda a gente sabe que não é caseiro, mas não faz mal, o Zé trouxe lá da terra, tem outro valor. É mais lento e mais caro do que os do supermercado, mas não deve ter tantos "químicos".

O Zé faz isto tudo em benefício da terra e fica um bocado chateado porque ainda há alguns desconfiados das suas boas intenções. Santos da casa não fazem milagres, é o que é. Então o Zé, com a ajuda da Maria, fez uma brilhante reforma da escola primária da terra, elogiada lá fora e a malta cá da terra tem o desplante de não o reconhecer por isso? Ingratos!

Deixe lá, Zé! Também havia muitos que só sabiam criticar o Filipe e ele agora está lá em Londres a ganhar mais num mês do que o BPN a Caixa lhe pagava aqui num ano. Continue, que ainda vai chegar onde ele chegou. Ele tem o Murtosa, você tem o Manel Pedro. E os ingleses têm-se mostrado muito interessados no seu curriculum. Sabe como se diz pebolim em inglês? Não faz mal, o Filipe também não sabia.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Compare... e diga de sua justiça

Qualquer semelhança com a actualidade é pura ficção....

E já existia a ASAE

 

Posted by Picasa


Diário de Viseu 17-01-2009

domingo, 18 de janeiro de 2009

As escolhas do Beijokense - 2008

Caros leitores,
as escolhas deste mês incidem sobre os "melhores" e "piores" posts de 2008. Os adjectivos não qualificam os posts, mas sim as situações e acontecimentos que lhes deram origem.

Positivo

  1. Polidesportivo
    Não teve inauguração com corte de fita, mas houve um torneio que mobilizou a freguesia.
  2. Convívio ACROP
    Apesar de ter sido mais uma ocasião para mostrar como as fotos do beijokense no Beijós XXI vão parar à imprensa, não é tanto este convívio que quero louvar, mas sim a fundação desta Associação.
  3. Beijosenses visitaram museu
    Elogios 3 em 1: para a dinâmica do Museu; para a iniciativa da Acção Social; para a exposição "Beijós e suas Gentes".

Negativo

  1. Homicídio na Póvoa
    Foi em Junho na nossa freguesia, foi em Outubro numa freguesia vizinha, foram dezenas de vezes em 2008 por todo o país, é preciso fazer algo contra isto! Creio que ajudará se mudarmos a atitude face a conceitos tradicionais como a colher e o corno.
  2. Basmad de férias?
    Uma má notícia que se tornou no post mais comentado de sempre neste blogue.
  3. A partida do Pe. Júlio
    Porque José Júlio deixou saudades e porque a rotação de párocos já parece excessiva!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

2009


Beijós 2009

O que espera para este novo ano? O que mais gostaria que acontecesse em Beijós? O que acha que deveria ser feito? E o que devia deixar de ser feito? O que é que mais falta à terra? E o que o há cá a mais? Há algo que deveria ser feito de forma diferente? E quem são os responsáveis? Comente, deixe aqui os seus desejos e opiniões. Daqui a um ano veremos o que mudou.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A mãe da actual crise financeira

«A ganância, a mãe da actual crise financeira

As origens da crise: a ganância, o pensar que o que paga tem infinitas possibilidades de pagar, que não é preciso ser-se prudente. O ousado é o bem visto. O cauteloso, o conservador, é uma pessoa fora de moda, quase desprezível.

A ganância de muitos gestores de bancos, o enriquecimento fácil e a curto prazo, é a grande causa de toda esta situação.

Tudo isto torna evidente uma falha gravíssima de regulação e de supervisão, o que é inconcebível. Deixar passar, não propor leis apropriadas, não fazer a fiscalização necessária é demitir-se do seu papel de reguladores e de supervisores. Isto devia ter consequências organizacionais e penais.

Tal como noutras crises financeiras da História houve consequências, mas o capitalismo não acabou. Também não vai acabar agora.

Mas lições devem ser tiradas e as responsabilidades assacadas.

A interdependência das instituições financeiras a nível internacional é, hoje, um facto incontornável. Mas onde estão as instituições de coordenação internacional, com poderes efectivos de intervenção operacional e legal à escala mundial, que é a escala dessa interdependência? A OMC (Org. Mundial de Comércio) quase deixou de existir, o FMI só é falado por causa das previsões. No campo político, a ONU, tem vindo a perder poder e credibilidade, etc.

O que um grande ou médio banco, de certo país, faz tem repercussões à escala mundial (ou global). Mas não existe nenhum organismo à escala mundial que regule, que fiscalize ou que, simplesmente, acompanhe a sua actividade.

Os governos nacionais, os bancos centrais, as comissões oficiais dos mercados financeiros (como a nossa CMVM) fizeram muito mau trabalho. Mas a realidade estava e está muito para além das suas competências.

Há muita coisa a repensar no toca a coordenação, supervisão e fiscalização financeiras à escala nacional e à escala internacional.

Não podemos olhar para as “criatividades” financeiras e aceitar comprar tudo o que nos querem vender. Ainda se lembram dos grandes negócios da filatelia no que deram?

Afinal os ricos só são ricos se os pobres lá estiverem para os “alimentar”.»

Texto de A. Abrantes

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Porcos e cabras

Nota 1: este artigo não é sobre animais de Beijós e só tem foto de uma das espécies mencionadas.

Nota 2: é um artigo de opinião, recorrendo a um estilo e linguagem que não são norma do Beijós XXI, mas que, atendendo a que aqui se costuma defender Portugal, se aceita.


Nos últimos meses, multiplicam-se os artigos na imprensa internacional de economia e negócios que utilizam o acrónimo PIGS para representar os países do Sul da zona Euro - Portugal, Italy, Greece e Spain. De certa forma, compreende-se o acrónimo, atendendo a que o seu uso dá jeito para figuras de estilo jornalísticas que recorrem à expressão idiomática dos porcos voadores para caracterizar a situação difícil das economias do Sul.
O problema é que usar um acrónimo que tem o nome dum animal e é usado popularmente em sentido pejorativo, comporta os seus riscos e acaba por ser mesmo usado nesse sentido. Eu tenho uma teoria para explicar a utilização do acrónimo - é a humilhação que os inventores do football sentem perante os respectivos países.
P representa a equipa que os eliminou nas últimas fases finais em que participaram.
I é a actual campeã do Mundo.
G e S são as últimas campeãs da Europa.
(entre parênteses, diga-se que os bifes são humilhados em todos os desportos que inventaram: levam tareia dos oceânicos no râguebi; dos asiáticos no críquete; e, até no desporto nacional, que é emborcar pints, levariam uma cabazada se tivessem a coragem de vir competir a Beijós!)


A utilização do acrónimo está, irresistivelmente, a resvalar para o chiqueiro e já não é um exclusivo inglês. A senhora von Reppert-Bismarck (na foto), que gosta de se deixar fotografar a beber cerveja belga, escreveu para a Newsweek um artigo cujo subtítulo refere explicitamente "as economias porcinas da Europa do Sul". Perante isto, acho que devemos responder com um acrónimo que designe um conjunto de países da Europa Central e do Norte. Aqui está a minha sugestão:
Finland, United Kingdom, Norway, Germany
Belgium, Ireland, Czech Rep., Hungary, Estonia, Sweden.
(falta um Cornwall no meio do Reino Unido e também daria jeito que a Turquia ficasse entre a Irlanda e a Rep. Checa, mas a senhora Bismarck entende...)

Link:
Do Portugal Profundo

sábado, 8 de março de 2008

Dia da Mulher

«A mulher é uma degenerada, disse eu. Está claro que a phrase não aspira a mais que exprimir sob uma forma paradoxal uma grande verdade, qual é a inferioridade psychica da mulher, sua estreita dependência do homem e um certo grau de anomalia mental que a torna meio antagónica com o ambiente social. A degenerescência, que resulta d'uma construcção cerebral defeituosa, representa-se pela ausência ou diminuição da faculdade de adaptação ao meio e pela tendência à eliminação espontanea na sucessão das grerações. (...) O organismo inteiro é uma decadência; só o ovulo se salva no grande desastre.»
Miguel Bombarda, Lições sobre a Epilepsia e as Pseudo Epilepsias, (Lisboa, Livraria António Maria Pereira, 1896), p. 130

  • Como é patente nesta lição na Faculdade de Medicina de Lisboa, os mentores da República consideravam a mulher um ser geneticamente inferior; o regime republicano não pôs em causa a ciência dos correligionários positivistas e nunca as mulheres tiveram direito a voto durante a vigência da 1ª República.

  • Paradoxalmente, a ditadura militar viria a consignar o direito de voto das mulheres (em 1931), mas só aquelas que fossem "chefes de família", i.e. não fossem casadas ou, sendo casadas, o respectivo marido estivesse emigrado.

  • Um regime semelhante vigorou durante o Estado Novo. O Salvador da Pátria e filósofo primeiro do EN dizia que a família, «célula social irredutível, núcleo originário da freguesia, do município e, portanto, da Nação: é, por natureza, o primeiro dos elementos políticos orgânicos do Estado Constitucional»; assim sendo, para que sobrecarregar dois (ou mais) elementos duma mesma família com o encargo do voto? Votava o chefe de família, naturalmente o marido, já que a esposa e os filhos lhe deviam a obediência. Era a consagração constitucional da expressão popular «onde há galo não canta galinha», como se pôde ver aqui no Recenseamento de 1954.

  • Com a democracia chegou a igualdade plena no campo do direito mas, no mundo das hierarquias políticas e empresariais (já para não falar nas militares...), continua-se a cantar de galo, poucas mulheres chegam ao poleiro, seja pelas dificuldades que lhes criam, seja porque a maioria delas não têm essa ambição. Ainda assim, o seu peso político é cada vez maior, como se constata na actual guerra aberta entre a Ministra da Educação (uma mulher) e os professores (esmagadora maioria de mulheres). Há uns tempos eu até pensava que o mundo poderia ser melhor se fosse governado por mulheres... ainda bem que esta garnizé da 5 de Outubro me fez mudar de ideias, livra! :-)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Outra rolha na blogosfera

1. BAD NEWS

Após três décadas de democracia, o regime transpira a bufaria e a censura e já não há nenhum efeito Axe que o disfarce.
O Conselho do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional da Universidade do Minho considerou que um blogue editado por um professor continha «inúmeras referências atentatórias da dignidade de professores, alunos e responsáveis políticos», considerando ainda que o dito blogue colocaria o autor em risco «na sua dignidade profissional e no conteúdo funcional da sua actividade como educador». Isto apesar de o autor do blogue nunca se ter identificado na blogosfera, nem fazer referências ao empregador.

Depois de 2 meses de "férias", o blogue reabriu, aparentemente purgado de vídeos e imagens (não sei se por poderem identificar o autor ou se por poderem ser consideradas "atentatórias"?). Sobrou um vídeo do Prof. Rui Zink a experimentar standup comedy, algo que este professor da UM também fez em Braga, sendo por isso censurado pelos seus pares do Departamento!!

Depois do acontecido com António Balbino Caldeira, também ele docente do Ensino Superior, acho que o melhor é não dizer mais nada - aqui têm o link para o blogue em causa.



2. GOOD NEWS

Por falar em A. Balbino Caldeira, Do Portugal Profundo publicou ontem o Despacho de arquivamento do inquérito por queixa de José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa. Gostei de ler: «conclui-se pela atipicidade das expressões utilizadas pelo arguido António Balbino Caldeira, as quais apreciadas no contexto e conjuntura em que foram publicadas no blog "Do Portugal Profundo", dirigidas ao ora assistente, enquanto Primeiro-Ministro, sendo incontornável a sua natureza de figura pública, se inscrevem no exercício do direito de crítica, insusceptível de causar ofensa jurídico-penalmente relevante».

sábado, 23 de fevereiro de 2008

UM BISPO INCÓMODO?

O nosso leitor A. Abrantes enviou, para publicação o texto seguinte:


«UM BISPO INCÓMODO?

Quem foi que disse que “a religião deve ser como o sal na comida, nem muita nem pouca, só o preciso”?


Quem foi que disse que “Na minha diocese quero padres para amar a Deus na figura do próximo; não quero jesuítas que vivam de explorar o próximo em nome de Deus”?


Estas frases, que tanta gente na região e visitante de Viseu bem conhece, podem ser lidas no pedestal da estátua que se mantém desde 1908 (1º centenário) no Jardim de Santa Cristina, em Viseu.

Estas frases, gravadas no granito pelos corajosos de 1908, continuam a ser espinhos cravados em muitas almas “estremes” da cidade de Viseu e do país herdeiras, talvez, das “moralidades” do Santo Ofício e da censura salazarista.



Por isso as comemorações do 2º centenário do nascimento de um dos homens mais ilustres de Viseu e das Beiras sejam tão “tímidas”, como se refere no jornal “As Beiras” de 18-2-2008.

De notar que nem a Câmara Municipal de Viseu actual nem o bispo da diocese viram grande relevância na data (18-2-2008) alinhando, não com os corajosos visienses que em 1908 homenagearam o bispo Alves Martins, mas com os que, em 1937, orientados pela senha “purificadora” de Salazar, ensaiaram uma lavagem à memória do bispo liberal, retirando o seu nome ao liceu que ele refundou e dignificou.


Cito do jornal “As Beiras”:


“Moralistas retiraram o seu nome ao liceu.

Segundo as actas do Liceu de Viseu, por volta de 1937 as inscrições de Alves Martins foram acusadas de ter uma influência perniciosa na juventude. "Houve um movimento de pretensa moralização que culminou na retirada do nome de Alves Martins ao Liceu. O seu pensamento muito aberto, muito frontal e muito arejado levou a que não tenha caído muito bem nalgumas mentes, embora na altura figuras importantes de Viseu e do liceu tivessem feito a sua defesa", ... acrescentando que o nome do bispo só foi reposto no liceu no pós 25 de Abril.”

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Felizmente a Escola Secundária, agora com o seu nome, não deixa passar de todo este 2º centenário do seu nascimento em claro.


Mas quantos daqueles que continuam “a explorar o próximo em nome de Deus”, como dizia Alves Martins, não o desejariam?


Quantos desses não consideram mesmo e ainda aquela estátua, com aquelas suas inscrições, uma fonte de contaminação “da “juventude”?»


A Abrantes

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

PIDE-DGSAE II

Foto © DN À primeira vista, o facto de o Presidente da ASAE fumar à frente das câmaras e de jornalistas no dia em que entrou em vigor a nova lei de prevenção do tabagismo, seria apenas um fait divers. No entanto, o caso não é assim tão simples, porque o fotogénico Presidente afirma que cumpriu a lei, segundo a interpretação que o próprio dela faz. Ora, aqui é que a porca torce o rabo! O que isto significa é que a aplicação das leis depende da interpretação de diligentes funcionários! Em princípio, o Estado paga a António Nunes para ele gerir a fiscalização da aplicação da lei e não para ele interpretar as intenções do legislador. Ainda havemos de o apanhar a comer uma cabidela caseira num estabelecimento de Agroturismo e logo ficaremos a saber que a legislação que tanto aflige pequenos restaurantes da chamada "Província" não se aplica ao Turismo em Espaço Rural.

Mas António Nunes vai bem mais longe. Nas múltiplas entrevistas que deu no mês passado, sempre foi dizendo que muitos restaurantes (nalgumas entrevistas quantificou em metade) vão ter de fechar porque não será para eles rentável o investimento nas alterações que a lei exige. Apresenta a douta estatística que nos diz que o nº de restaurantes per capita em Portugal é muito superior à média da UE, por isso o encerramento é absolutamente fundamental para o progresso do país, o qual obviamente depende da eficácia destes restbusters! É o triunfo dos franchisees por aclamação - que importa se servem junk food, o que importa é que cumprem as regras.

Quanto às pessoas que trabalham nos estabelecimentos a encerrar, assim como aquelas que, numa estratégia de pluriactividade, lhes fornecem alguns produtos tradicionais à margem da fiscalidade, não têm por que se preocupar - para isso foi criado o rendimento social de exclusão. Quem é que falou de extermínio?

sábado, 26 de maio de 2007

Opinião - Madeleine, Fehér, e a comuniação social

As águas do panorama noticioso andavam muito amenas. As piadas sobre Sócrates já estão gastas. As notícias sobre o estado do país continuam muito desanimadoras, para não variar. A guerra civil no Iraque já se tornou banal. Os incêndios ainda não começaram. Os dirigentes desportivos não se lembraram de se insultarem.

Eis então que uma criança é raptada. Está encontrado um novo tema para os próximos dias. Aqui, na Inglaterra e um pouco por todo o mundo, o caso ganhou interesse.
Um interesse que vende. É o que as pessoas querem. Não bastam horas e horas de novelas por dia, os noticiários ainda têm que apresentar novelas da vida real, como esta. O mais puro sensacionalismo. A exploração dos sentimentos de uma família levada ao extremo. A menina e os seus pais tomaram contornos de ídolos. A imprensa é assim.

Só em Inglaterra desaparecem 70 mil crianças por ano, ou seja, uma média de 192 por dia. Se se desse tanta importância a essas crianças como se está a dar a Madeleine, não se trataria de mais nenhum assunto. Os noticiários seriam exclusivamente dedicados ao desaparecimento de crianças. Foi gerada uma onda de solidariedade nunca vista num caso deste nível, tendo sido já oferecido um total de 3.850.000€ (772.000 contos) a quem der pistas sobre o paradeiro da menina. Em Portugal, por exemplo, o jornal Record ofereceu 15.000€.

Tenho a certeza que se agora desaparecesse outra criança em Portugal já nem sequer se falava dela. Pois a história iria repetir-se e as pessoas começam a ficar fartas. Uma repetição deste caso já não venderia jornais, já não teria audiência.

Este caso faz-me lembrar um semelhante caso de mediatismo: o jogador do Benfica Miki Fehér. Morreu durante um jogo de futebol, por isso o horror da sua morte foi transmitido em directo. Durante uma semana quase só se falou da sua morte. O seu funeral foi transmitido em directo pela televisão. Ainda hoje se vêm adeptos a mostrar cartazes com a sua imagem. Ficou como um ídolo, como se tivesse sido a melhor pessoa que alguma vez tivesse pertencido àquele clube. Nada mais errado. Antes de ter morrido era um completo desconhecido. Um jogador igual a tantos outros milhares. Algumas semanas depois morreu um jogador das camadas jovens do mesmo clube. Quase não se falou dele. Porquê? Razão número 1: uma história idêntica já tinha sido contada há uns tempos atrás. Razão número 2: a morte deste não foi transmitida pela televisão, não houve choque, não causou impacto, não houve sensibilização.


No caso de Madeleine houve . Se esta criança tivesse nascido do outro lado do Mediterrâneo de certeza que não tínhamos ouvido falar dela. Isto só mostra o quão estão as pessoas presas, dependentes e como são manipuladas pela comunicação social, deixando que esta toque nos seus sentimentos mais frágeis.

Espero como é óbvio que a criança seja descoberta o mais rapidamente possível. Mas não fiquem presos a este caso. Tantos e tantos massacres que ocorrem por esse mundo fora... Tanta criança que não pode ser sequer raptada porque não tem a quem o ser... Mas infelizmente aí não há pessoas. Há números.


Mas nós somos uns sortudos por termos nascido num país desenvolvido e pacífico.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Com uma mão à frente e... a outra também!

[Este post é uma ficção com conteúdos para adultos; se tens menos de 18 anos, clica aqui]

Era uma vez...
um país chamado Portugal.
Portugal herdou de seu pai, Afonso, elevados níveis de testosterona e eventual excesso de dopamina. Foi um puto traquina e um adolescente aventureiro. Ainda criança, foi apresentado a Inglaterra, de quem se tornou amigo, mas sem vontade de casar. Conheceu também Flandres, mas achava-a desengonçada - na verdade, não se sentia atraído pelas raparigas europeias, muito pálidas e demasiado vestidas para o seu gosto, perdia-se antes pelas mais exóticas, quentes e húmidas...

Índia foi a sua grande paixão, pouco mais que platónica, diga-se. Portugal ainda se lambuzou em novos cheiros e sabores, mas Índia nunca permitiu grandes avanços, a impetuosidade de Portugal não combinava com a sua filosofia tantra. Entretanto, nos intervalos do flirt com Índia, Portugal ia reparando em África, uma jovem com fabulosos atributos naturais, mas sem o encanto inebriante de Índia. Já não era jovem quando se convenceu que Índia nunca iria ser sua. Resolveu que era tempo de assentar - decidiu-se a casar com África. Nem chegou a perguntar a opinião à sua consorte, seguiu o método africano, casa primeiro e pergunta depois, à boa maneira de seu pai (de namoro já ele estava farto com a Índia, além do mais não tinha dinheiro para o dote). Apesar do método, Portugal estava convencido de que esta História tinha chegado ao ponto em que se diz «tiveram muitos filhos e foram felizes para sempre!».

Mas não foram. O vigor de Portugal já não era o de outrora e ele vivia atormentado com a ideia de não conseguir satisfazer África. Diz-se que o corno é o último a saber, mas Portugal começava a sentir um peso... na consciência. África começava a notar o assédio de outros, mais jovens e poderosos. O amor antigo, Índia, procurava agora denegrir Portugal e incentivava África à separação. Além disso, duas raparigas muito atrevidas, Rússia e Cuba (sobretudo esta, de língua muito afiada), parece que andavam a "fazer a cabeça" a África para por a malas de Portugal à porta. Portugal tinha visões de Nª Srª dizendo-lhe que Rússia estava no mau caminho e haveria de se arrepender. Impotente, Portugal rezava. As brigas do casal eram diárias e começavam a preocupar os vizinhos.

Com peso na consciência, Portugal saíu de casa numa noite de 24 de Abril, foi p'ós copos no Bairro Alto, Chiado, R. do Arsenal, Cais do Sodré... grande piela, vomitou monelhos de cavelo e... sentiu-se como novo! Ainda passou mais uns dias na borracheira e, quando voltou a casa, foi para pedir desculpas a África - ela podia ficar com tudo. Portugal trouxe alguns filhos para morar consigo, mas praticamente apenas com a roupa que tinham no corpo e uns poucos brinquedos na mão. Portugal não se importava, estava feliz e ia p'ós copos todas as noites. Rússia começou a seduzi-lo e até marcaram um encontro num motel, mas, no caminho, Portugal foi apanhado com excesso de álcool, passou a noite na esquadra, levou um raspanete do Juiz FMI e, à saida do Tribunal, já não se lembrava do seu destino.

A ressaca deixou marcas. Portugal foi colocado sob rigorosa dieta e andava muito deprimido. Apresentou-se às velhas Inglaterra e Flandres (às quais se juntou uma diligente viúva rica, Germânia de seu nome), com uma mão à frente (litoral) e outra atrás (interior). Além de pobre, estava doente e elas mandaram-no ao Dr. Delors, que lhe diagnosticou arteriosclerose e hipertensão. Receitou-lhe sildenafil em comprimidos azuis designados ECU. Os efeitos sobre a hipertensão foram nulos, mas produziu-se um efeito secundário de relevo - estava Portugal a fantasiar com uma relação entre a sensual Ota e o fogoso TGV, quando notou que as partes da frente estavam a crescer... embaraçado, Portugal tirou a mão de trás e juntou-a à que já tinha à frente... Oops, pensou Portugal, ai se o Castelhano dá conta!
Castelhano é um vizinho de Portugal - ainda são primos. Castelhano também tinha muita testosterona e, quando era jovem e apanhava Portugal distraído, tentou muitas incursões pelo interior. Portugal sempre se defendeu bem, mas agora, com o interior destapado, teme-se o pior!

Cartoon de Luis Afonso, Sábado Nº148, 1/3/07