Está a ler o arquivo 2005-2009 do Beijós XXI. A partir de 2010, o blogue passou a ser publicado no endereço http://beijozxxi.blogspot.com

terça-feira, 30 de junho de 2009

Famílias de Beijós - Peixoto

A origem do apelido Peixoto é atribuída a Gomes Peixoto, o Velho, que viveu nos sécs. XII - XIII e cuja descendência teve muitas posses por terras de Guimarães, Fafe e Basto. A informação até agora obtida aponta para que o autor deste post seja 21.º neto deste Gomes Peixoto :)

Gonçalo Peixoto da Silva Almeida, 11.º neto de Gomes Peixoto, viveu no séc. XVII em Guimarães, de onde era natural, mas, por heranças várias, era senhor de diversos morgados e era também Padroeiro de S. Miguel da Lageosa, paróquia onde um dos seus filhos, Fernando Peixoto da Silva, foi Abade. No entanto, Fernando prescindiu da Abadia, certamente por afazeres em Guimarães. Numa acta de 1717, consta que «foi eleito para Provedor da Misericórdia de Guimarães Fernando Peixoto da Silva abade reservatário da Paróquia de S. Miguel da Lagiosa e sua anexa de S. João Batista de Veijós». Parece que os de Guimarães sempre tiveram um uso muito próprio dos "V" :)

A família Peixoto da Silva manteve o Padroado por várias décadas e tratou também de nomear um abade da família para governar a paróquia da Lageosa. Foi ele Luís Peixoto da Silva, filho ilegítimo de João Peixoto da Silva (um irmão do Abade Fernando). Foi este Luís que respondeu ao inquérito paroquial de 1758 (como já referi aqui), onde escreveu «É freguesia de São Miguel cuja Igreja é a Matriz, tem sua anexa de São João Baptista de Beijós, é Abadia cuja apresentação é de Gonçalo Peixoto da Silva Macedo e Carvalho, assistente em Alenquer, rende três mil cruzados com sua anexa». Este Gonçalo, padroeiro da altura, era neto de um meio-irmão do Abade Luís.

Seguindo uma tradição familiar, o Abade Luís Peixoto da Silva manteve conversações com uma mulher solteira, no caso, Angélica Maria, natural de Sangemil, cujo resultado foi António Peixoto da Silva, que viria a casar em Beijós em 1783, onde estabeleceu residência, tornando-se no ancestral dos Peixotos de Beijós. O Abade Luís era um grande amigo do Padre Cristóvão, pelo que não é difícil de imaginar a pompa e a elevada assistência eclesiástica do casamento da neta de Luís (Maria Margarida Tavares Peixoto da Silva) com um neto de Cristóvão (António Coelho de Abrantes), mesmo sabendo que eles só puderam assistir ao casamento dos respectivos lugares no Céu. Este casal teve os filhos Cristóvão Coelho de Abrantes e Daniel Coelho de Moura, ambos com vasta descendência nos Coelhos de Beijós. Neste ramo, perdeu-se o apelido Peixoto.

Os restantes filhos de António Peixoto da Silva mantiveram o apelido Peixoto:
Bernarda Delfina Cardoso Tavares foi a 2.ª mulher de Felisberto Coelho de Moura, tendo um filho João Peixoto Coelho, nascido em 1811.
Luiz Peixoto, nascido em 1790, morreu em 1851, sem ter casado.
João Peixoto da Silva, falecido em 1854, foi pai de Claudina de Jesus (referida aqui).

Os actuais Peixoto de Beijós são descendentes de Francisco Peixoto, nascido em 1832. Graças a informação de Ulisses Galvão Silva, sabe-se que este Francisco era filho natural ou ilegítimo de um João Peixoto. Só pode ser o João Peixoto da Silva ou o seu sobrinho João Peixoto Coelho, referidos no parágrafo anterior. Esperemos por mais resultados de investigação genealógica para determinar o papel do tio ou do sobrinho, mas não há qualquer dúvida de que a linhagem é a mesma.

14 Beijos:

roger.a disse...

são quase tão antigoscomo o 1º Rei.

aproveitavam os caminhos de Santiago para vir desposar as nativas ...

Anónimo disse...

um estudo fantastico, como sempre, e que para quem gosta de historia e biografias, como eu, e ouro sobre azul
parabens
ana paula fernandes

António disse...

A minha Mãe Fernanda Peixoto Abrantes é:
- filha de Maria Alzira e José Abrantes.
- Neta materna de Francisco Peixoto e de Bernarda (2ªs núpcias em Beijós).
Francisco Peixoto terá casado em primeiras núpcias com uma senhora de Carvalhal Redondo onde deixou pelo menos duas filhas uma Ana e outra Maria.

Será o mesmo Francisco Peixoto?

beijokense disse...

Francisco Peixoto casou pela 1.ª vez em 1859 com Maria de Campos, natural de Cabanas.

Anónimo disse...

desculpe beijokense a minha pergunta é licenciado em historia,humanidades.
Acho os seus artigos sempre interssantes.
Comento muitas vezes com a minha filha, que e Antropologa na area de criminologia, e gostamos imenso de ler.
O avo do meu marido tambem era Campos.Tenho de perder tempo, quando estiver reformada e a viver em Beijos, para me dedicar e pesquisar ate onde vai a familia do Carlos.
Ana Paula Fernandes

beijokense disse...

Sou apenas um curioso que procura não cometer grandes erros na leitura de documentos históricos e de obras que historiadores produzem.

Alonso Maria disse...

Olá, Caros
Também eu descendo de Luís Peixoto da Silva, o Abade.

Alonso Maria disse...

Olá, Beijokense
Não sei se algum dia lerá isto, visto o blog de algumtempo para cá não ter actualizações, mas eu descendo do Abade Luis (esse maroto). Ele manteve relações com uma senhora D. Antónia Francisca de Figueiredo Loureiro de quem teve um filho o Dr. Luis Peixoto da Silva neu avô em 8º.
Deixo aqui ficar o meu mail.
cardosodoamaral@gmail.com
Se asim o entender e tiver mais inormações preciosas agradecia que me contactasse,
Saudações Cordiais
Cardoso do Amaral

Anónimo disse...

O blog continua em http://beijozxxi.blogspot.com

Pedro Peixoto disse...

Boa noite, sou natural da Lajeosa e tenho lido um pouco sobre a história dos Peixotos e pelo que percebi o Gonçalo Peixoto que o Abade Luís refere no inquérito era o 2º Visconde de Lindoso, que era filho do 1º visconde João Peixoto, ora sendo o Abade Luís um filho ilegítmo do João Peixoto, ele seria meio-irmão do Gonçalo e não o que refere. Certo? Pelo que percebi há muita gente interessada neste tema, pelo que poderíamos ir partilhando informações. Obrigado pelo seu trabalho.

Carlos Peixeira Marques disse...

Caro Pedro:
Sou descendente do Abade Luís, pelo que obtive algumas informações sobre a família. Pode contactar-me via gmail ou facebook.

Quanto ao seu comentário, está equivocado algumas gerações :)
O 1.º Visconde (e Conde e Marquês!) do Lindoso nasceu em 1825.

O Gonçalo que é referido no texto, padroeiro em 1758, era neto de Gonçalo Tomás Peixoto da Silva, meio irmão do Abade Luís.

Cumprimentos.

Carlos Peixeira Marques disse...

Correcção: O Gonçalo que é referido no texto não pode ser o "neto de Gonçalo Tomás Peixoto da Silva" que mencionei no comentário anterior, porque ainda não era nascido em 1758.
De momento, não tenho a certeza quem é este Gonçalo, mas é possível que seja o meio-irmão do nosso Abade, como o Pedro sugere O:)

Carlos Peixeira Marques disse...

Confirmo: o padroeiro em 1758 é o meio-irmão.
O 1.º Visconde do Lindoso foi bisneto deste Gonçalo.

Pedro Peixoto disse...

Olá Carlos, agora fiquei um pouco confundido... :)
O meu email é peixoto[at]live.com , pode enviar-me a informação que possui, eu depois respondo-lhe com o que tenho.

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