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sábado, 13 de junho de 2009

Faz hoje 93 anos que o beijosense José Abrantes salva um jovem de morrer afogado no Rio Mondego


No seguimento da postagem no Beijós XXI da notícia em questão, publicada em 23OUT2008

Francisco Abílio Abrantes, primeiro filho varão de José Abrantes, fez um requerimento à Direcção de História e Cultura Militar do Exército Português em 12 de Março de 2009, no sentido de descobrir o Diário da República "Diário do Governo" em que fora publicada a atribuição da Medalha de Mérito a seu pai pelo salvamento de que foi protagonista hà precisamente 93 anos atrás.

Afinal ainda há instituições que funcionam, neste país.

Pois, Francisco Abílio Abrantes recebeu um ofício do Arquivo Geral do Exército, em 20 de Abril de 2009, enviando cópia do despacho do Ministério do
Interior que agraciou
"o soldado José Abrantes com a medalha de prata
... por haver salvo de morrer afogado o menor Marçalo de Sousa, acto
este, particado com risco da própria vida, que teve lugar no rio
Mondego, na data de 13 de Junho" de 1916.

O despacho foi publicado no Diário do Governo, série II, 11-Agosto-1916

José Abrantes (1895-1965)


Que terá acontecido ao jovem Marçalo de Sousa, terá descendentes?

(the soldier Jose Abrantes received the silver medal of merit and
philanthopy for having saved the minor child Marçalo de Sousa from
drowning in the Mondego river, on 13-June-1916, risking his own life)

Fotografia de José Abrantes com a medalha de Prata com que foi agraciado em 1916.


Notícia enviada por: Francisco Abílio Abrantes

14 Beijos:

Micas10 disse...

É comovedor ver esta linda história antiga aqui documentada e relembrar o Homem Bom, e sobretudo o Pai dedicado, que recordo com muito carinho e saudade.
Mariana Abrantes

Newsmonger disse...

Então, terá sido motivo de orgulho para o agraciado. Agora, a alegria que ele sentiu vai sendo revelado ao Mundo pelos seus descendentes.
Parabéns!

António disse...

Newsmonger,
Bem-vindo ao Beijós XXI,
Manda Beijós a toda a Gente.

Carlos Peixeira Marques disse...

Aproveito este belo post para dar os parabéns ao neto que faz hoje uma capicua.

Um abraço.

António disse...

Obrigado Compadre.

Anónimo disse...

Parabêns Antonio por mais um aniversário, Que contes muitos!

António Abrantes disse...

Defacto, este post sobre José Abrantes e o seu feito de salvamento de um rapaz no rio Mondego (Marçalo de Sousa), é uma pequena homenagem bem merecida.

José Abrantes, em vida, nunca fizera alarde dessa condecoração. Mas certamente que isso o ajudou a enfrentar os problemas dos seus 70 anos de vida (1985-1965). José Abrantes dizia que todo o individuo não devia passar por este mundo sem plantar uma árvore.
Ele plantou “muitas árvores”ou seja, fez obra digna, nobre e muito pelo bem comun. Nesse dia de 1916, no rio Mondego, em Coímbra, “plantara” uma dessas árvores mais belas que só alguns têm a capacidade de plantar, que foi salvar um ser humano com risco da sua própria vida.
Como filho de José Abrantes, permirtam-me mais o seguinte registo: este post também é digno do seu autor, Francisco Abílio Abrantes, pelo seu incansável espírito de pesquisa, sentido de justiça e permanente sede de saber e de salientar o que é justo e exemplar.
António Abrantes

Anónimo disse...

Israel:
A unica medalha que tem:
Diz : quem salva uma vida, Salva o Mundo inteiro.

Anónimo disse...

Ratificar datas do comentario acima;

!895-1965. ( 70 anos de vida)

Francisco Abilio abrantes

António disse...

No verão de 1987, se a memória não me falha, eu e um colega de marinha, de nome Sebastião, enquanto o NRP Baptista de Andrade estava atracado no porto de Leixões, nós fomos à praia de Leça da Palmeira.
Jogávamos à bola (de voleibol, a minha McGregor) junto ao molhe que dá agora acesso à marina de Leça, numa zona não vigiada (havia ali um sinal onde ainda se podia ler "Zona interdita a banhos), onde a água do mar se espraiava, tínhamos água acima dos tornozelos.
O Sebastião que estava do lado de terra, já por duas ou três vezes tinha atirado a bola para lá do local onde me encontrava por ali se encontrar uma jovem mulher.
A certa altura, novamente com intenção de que a bola fosse salpicar a rapariga, atirou a bola muito acima do meu alcance, tendo ido cair para lá da zona de rebentação, tendo-lhe dito:
-agora vais tu buscar a bola.
De imediato o Sebastião, que segundo me havia dito fazia surf no Guincho, parece que morava na linha de Sintra, avançou em direcção à bola mergulhado no mar, nadou em direcção à bola e rapidamente a alcançou e a lançou para mim.
No entanto eu fiquei, imediatamente, preocupado, pois era visível que a corrente o fazia afastar de forma rápida da zona de rebentação, tendo-o avisado para que nadasse para a praia por a corrente estar a puxar para o mar.
O Sebastião, entretanto começou a esbracejar, sem, no entanto, pedir qualquer socorro,
disse-lhe que se deixasse de brincadeiras.
Mas, logo me apercebi que não era a brincar, pois seu ar era de aflição, entretanto afastava-se cada vez mais.
De imediato atirei a bola na direcção da rapariga, pedindo-lhe que a segurasse, lançando-me à rebentação e nadei em direcção ao Sebastião, atingi-o muito rapidamente,
disse-me:
- "não consigo mexer as pernas."
Pedi-lhe:
- vira-te para que eu te arraste nadando de costas.
Ao que o mesmo prontamente obedeceu.
Tentei, nadando de costas (como se aprende nas técnicas de salvamento), mas o resultado era que, cada vez mais nos afastávamos da praia.
Tive que lhe dizer para se virar novamente e que nadasse com os braços, enquanto eu o empurrava pela nuca e pelo tronco, nadando e empurrando, tentando chegar a uma zona em que tivesse pé.
Esta situação demorou vários minutos, não posso precisar quantos, só sei que pareceu uma eternidade.
Em cada segundo, pensava;
-- agora é que o vou largar para me salvar.
-- como é que eu sei, que chegou o momento de o abandonar para não morrer também.
Eu próprio não conseguia pedir socorro, tal era a aflição e o enorme esforço que fazia para nadar, no entanto via que na zona de espraiamento se juntavam uma dúzia de pessoas a olhar, tal facto revoltou-me pois eu acreditava que se aquelas pessoas dessem as mãos fazendo um cordão humano, chegariam ao local onde nos encontrávamos a lutar pela vida.

Quando por fim consegui ganhar pé, tirei o Sebastião em braços, por o mesmo não se segurar em pé.
As pessoas em vez de virem ajudar desviaram-se para passarmos, batendo palmas como se de um espectáculo se tratasse.

Entretanto chegavam dois banhistas que procederam à reanimação das penas "roxas" do Sebastião.

Eu, uns metros mais acima deitei-me na areia virado para o céu de pernas e braços abertos, a descansar. Passou perto de mim a Tal rapariga, pediu desculpa por não ter segurado a bola, apontando para o horizonte, levantei a cabeça e ainda consegui vislumbrar um pequeníssimo ponto branco, mentalmente disse adeus a minha bola "Mcgregor" que havia comprado no BX da Base das Lages na Ilha Terceira - Açores.

Anónimo disse...

Quem sai aos seus não degenera.
Foi uma das muitas árvores que o avô plantou,
motivado por um espírito de sacrificio e altruísmo várias vezes demostrado.

Atenciosamente
Leandro Abrantes

Micas10 disse...

Note-se que estes casos de afogamento ocorreram no ínicio do verão, quando o sol quente convida aos mergulhos e as precauções para evitar os accidentes ainda não estão bem presentes, especialmente entre os jóvens inexperientes.
Como disfrutar dos banhos e evitar os afogamentos e outros accidentes na água:
- Frequente praias e piscinas vigiadas, sinalizadas e com nadadores-salvadores e obdeça às suas instruções
- Evite nadar sozinho ou em lugares muito remotos
- Não tome bebida alcoólica antes de entrar na água
- Não mergulhe após lanches e refeições
- Não se afaste da margem
- Não salte de locais elevados para dentro da água
- Não tente salvar pessoas em afogamento sem estar devidamente habilitado
- Prefira lançar objetos flutuantes (bolas, bóias, madeiras, pranchas e outros) ou cordas para salvar pessoas, em vez da ação corpo-a-corpo
- Não deixe as crianças na água sem a companhia de um adulto responsável
- Permaneça próximo da zona do nadador-salvador
- Verifique a indicação de se o local é ou não próprio para banho
- Evite brincadeiras de mau gosto como os conhecidos "caldos"
- Preste atenção na água: muitas vezes a observação é suficiene para concluir se ela está poluída ou oferece risco ao banho
- Ensine a criança que é perigoso entrar em águas profundas ou ficar só
- Não finja um afogamento porque as pessoas podem não dar importância a um acidente verdadeiro quando ele ocorrer
- Ligue imediatamente para as autoridades caso aconteça algum imprevisto
DIVIRTA-SE ... EM SEGURANÇA!

Frei João disse...

É sempre bom lembrar...regras como estas. É que nem sempre o nosso anjo da guarda anda por perto.

Essa dos saltos para a água sem cuidar da profundidade, dos bancos de areia ou pior, de rochedos salientes e escondidos sob a água, que altera a noção das distâncias, é importante.
Ainda me doi o joelho em resultado de um desses mergulhos tolos há uns anos.

António disse...

Frei João,
Bem-vindo ao Beijós XXI,
Mande Beijós a toda a Gente.

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