Está a ler o arquivo 2005-2009 do Beijós XXI. A partir de 2010, o blogue passou a ser publicado no endereço http://beijozxxi.blogspot.com

domingo, 8 de abril de 2007

Porta do sino com uma fechadura de trinco

Este ano vai ser difícil fazer repiques na Páscoa :)
«Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil e oito centos e oitenta, aos quatro dias do mez de Abril, achando-se reunidos pelas dez horas da manhã na caza das sessões da junta de parochia de Beijoz, o presidente declarou estar aberta a sessão: e em seguida foi apresentado à deliberação da mesma junta, a necessidade que havia de providenciar o modo de terminar com o intuleravel abuzo que havia nesta parochia, no toque dos sinos, e isto, tanto pelo que diz respeito aos continuados e excessivos repiques, que aqui se costumão dar nas vesperas e dias festivos; como tambem do modo, como se dobram á procição das almas, e por occasião de algum parochiano finado, em que os sinos são constantemente virados e revirados, e com tal força, que facilmente se poderá quebrar algum; o que sendo ouvido e discutido pela junta, deliberou que se mandasse fechar a porta do sino com uma fechadura de trinco, e que se desse a cada um dos reverendos ecclesiasticos da freguesia, uma chave ou trinco, para elles se servirem, quando tocassem para as funções religiozas, fechando depois a porta do sino, para este não estar exposto aos desvarios da canalha, que comette aqueles abusos; e que a junta ficasse também com uma chave para seos usos.»

8 Beijos:

Micas10 disse...

Não sei se foi o tocar do sino, ou os estrondos dos aceleras nas lombasou, ou o cantar dos galos, ou o chilrear das andorinhas, mas de facto a noite de sábado maior para domingo de Páscoa pareceu um bocado curta.

Anónimo disse...

Um documento muito interessante da história viva da nossa Igreja e seus parochianos.

...Se não houvessem "desvarios" os nossos antepassados não teriam elaborado esta acta histórica !!!

beijokense disse...

Pelos vistos o fecho com trinco não produziu os efeitos desejados. Em 6-2-1887 decretou-se que o «toque dos sinos excessivamente» fosse punido com multa de «trezentos reis pela primeira vez, seis centos reis pela segunda e mil e duzentos reis pela terceira e mais vezes que for encontrado cada infractor».

Micas10 disse...

Grandes "desvarios" que perduram desde antes 1880, serão os desvarios seculares ?

Nuno disse...

Muito interessante.

Diana disse...

Bem acho que nem o trinco na fechadura adiantou porque a noite foi longa para quem foi lá tocar o sino e claro para quem o estava sempre a ouvir...este ano foi pior...mas no bom sentido claro...é sempre bom manter a tradição...

Anónimo disse...

Naquela altura, foram obrigados a elaborar esta acta, para pôr ordem nos desmandos.

Hoje, a população de Beijós terá que elaborar uma outra, para evitar que algumas pessoas se aproveitem para ganhar dinheiro com o toque do sino. Parece que até fazem guerra por causa disso.

Noutros tempos, o Sr. António Nuno Rodrigues Machado, que também foi sacristão durante alguns anos, tocava o sino várias vezes ao dia e sempre que alguém falecia, e contentava-se com alguns tostões que lhe davam pela Páscoa, na visita Pascal!

Hoje, ninguém faz isso por amor à camisola, como outrora.

Os sinos são da Igreja Paroquial, não podem ser instrumentos para alguém tocar, para ganhar dinheiro.:D

Anónimo disse...

Outroura tambêm não se pagavam as missas, batizados e casamentos, agora paga-se tudo e mais alguma coisa.

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